Equipe Memorial / Empório Aventura / Los Locos |
Por Naldo Lima
Formamos a equipe na quinta feira antes da prova. A impossibilidade do Alê Machado em participar, me gerou o convite para que eu participasse da competição na categorias duplas mistas, em parceria com a consagrada Nelma Raizer, lendária IronWoman santista, a quem já conheço há bons 15 anos através do triatlo.
Saímos cedo de Santos, em companhia dos Nuts, e logo chegamos ao “paraíso” prometido pelo Fran para a realização da prova.
Não sei se era o sono ou preguiça, não pudemos perceber o verdadeiro potencial do lugar no momento em que chegamos.
Cumprido o check list, nos dirigimos à largada, onde haveria um trekking de aproximadamente 300 metros até o PC 1, onde pegaríamos as magrelas para o prometido trecho de montain bike.
Combinamos sair na manha, para irmos buscando confiança e entrosamento. Tá bom! Abertas as porteiras, esquecemos o que combinamos e saímos desenfreados para o PC, e no início do Montain Bike estávamos encabeçando a prova com outras três equipes.
Na primeira grande subida (aproximadamente 3 KM), a equipe Kalangos, do Rio de Janeiro, que viria ser nossa principal concorrente mostrou as garras: a menina da equipe, Andréa, passou a forçar o ritmo, fazendo uma bela disputa com a Nelma, que contra atacou, apesar de ainda ser o começo da prova. Via tudo de camarote...
Após o primeiro trecho, chegamos à área onde fica a sede da fazenda, e um velho fantasma veio me assombrar: A navegação em trechos com ruas. Nesses locais, na pressa, a gente esquece a bússola e toma decisões quase sempre equivocadas. Não deu outra. Na pressa fui orientando o mapa no “achismo”, o que fez com que perdêssemos bons 5 minutos entre descoberta de erro e tomada do verdadeiro rumo, quando uma simples alinhada no mapa nos poria em rumo.
Isto posto, encaramos uma bela subida que mesmo tendo 5 Km, nos permitiu que pedalássemos o tempo todo. Como temos um ciclismo forte, decidimos forçar bastante, para ver o que iria dar. Não deu outra! Passamos a recuperar posições e, após o mais belo trecho de MB que já fiz em 4 anos de corridas de aventura (com direito a sigle trek, dowhill, e belas paisagens), entregamos as bicicletas em segundo lugar, 4 minutos atrás da Kalangos, que liderava a prova, e partimos para a etapa de canoagem em ducks.
Como retorno de uma lesão no joelho, estou sem confiança na minha corrida. Por isso sugeri à Nelma que déssemos um gás na etapa de duck, para que abríssemos uma boa vantagem que nos desse um “lastro” na etapa de trekking.
Conseguimos abrir essa vantagem, principalmente nas portagens e, apesar de nossa pressa, conseguimos curtir muito o visual daquele rio de águas totalmente cristalinas, o que nos levou diversas vezes a dar um “mergulhinho” para refrescar e curtir. Foi mais uma grata surpresa a beleza da etapa de canoagem.
Ao final da canoagem, saímos em trote para o trekking, e, após encontrar a trilha, percorremos aproximadamente 2 Kms em paralelo ao rio. Até aí tudo bem. Em trilha a gente se nivela.
Quando entramos na estrada para os 7 Kms restantes, a vovó Nelma mostrou porque é uma das melhores atletas do país, independentemente de seus 46 anos: forçou o ritmo o tempo todo, inclusive em subidas as quais, soube depois, grande parte das equipes caminharam.
O fato é que eu não consegui acompanhá-la adequadamente, devido a falta de treino na modalidade, e nossa progressão foi mais lenta nesse trecho.
Quando faltava aproximadamente 1 Km para o PC onde pegaríamos as bicicletas e voltaríamos ao meu habitat, olho para trás e vejo uma equipe mista se aproximando. Botei o coração na frente de tudo e conseguimos manter a distância. Quando saímos do PC para os 10 Km de MB, percebemos que não apenas a equipe PMB1 de Bertioga, como a Camelos, se aproximaram bem da gente, ameaçando nossa liderança.
Começamos então a pedalar muito forte, na esperança de que as equipes não chegassem junto, o que deu certo. Após muito sofrimento, pois tanto eu quanto a Nelma preferimos provas mais longas e com menos intensidade, chegamos em primeiro no último PC, quando restariam apenas 400 m em trilha para a chegada.
Estava tão “zonzo” do esforço feito, que olhava o mapa e via apenas borrões. Como a trilha não era difícil, logo chegamos ao conjunto de pontes suspensas que nos levariam à chegada.
A Nelma brincava comigo e gritava “vem bebê, vem bebê”, brincando muito, e mostrando que ainda tinha bastante gás.
A prova foi maravilhosa, e o Fran se preocupou em levar a galera a um lugar maravilhoso, em uma região intocada e preservada, a qual, dentro das limitações que a competição nos impôs, pudemos curtir.
A propósito, não posso deixar de manifestar-me sobre o Fran Perez: trata-se de um amante das corridas de aventura em sua verdadeira essência. È capaz de aliar a sua competitividade para, no meio de uma disputa por uma colocação em uma prova, admirar a natureza e curtir o momento. Participamos de provas em alguns dos lugares mais bonitos do país, e possivelmente não voltaremos mais para lá. O que custa deixar a competitividade de lado em determinados momentos, e desfrutar desses paraísos? Nada. São lições que estou pouco a pouco aprendendo nos bons momentos que tenho com esse cara simples, e que conseguiu organizar uma das provas mais bonitas que já pude participar.
É isso aí! Valeu Nelma, valeu Fran, obrigado Marcão e Fernando (Nuts)...
Naldo
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