Parecia estar predestinado! Tudo começou com a poesia do Lucas sobre o “Vara-mato, vara-lama” citando os Sacis e outros espíritos da mata. Então a Senta a Pua resolveu bulir com os bichinhos em seu Poema.
Devo dizer que eles não gostaram e resolveram ajudar a quem de direito leva seu nome.
Com aquela chuva caindo, resolvemos sacrificar o briefing e almoçar um belo nhoque.
Chegando na praça, perguntei ao Lucas minutos antes da largada qual era o conselho para o prometido e temido trekking norte. Singelo virou-se para a belíssima Igreja de Iguape e disse “Reze...”. E foi o que fizemos: uma oração no coração e parimos com sua louca buzina.
Em alguns minutos de asfalto chegávamos ao PC 1 em uma pequena Vila para uma pequena demonstração do que viria a ser o resto da prova. Lama, lama e lama.
Com as bikes já bem destruídas e 30 Km depois chegávamos ao PC2/AT1 onde deixávamos as magrelas e partiríamos rumo ao desconhecido.
Assinamos em boa posição e seguimos trotando até a travessia de rio a nado. Para quem já estava molhado e sujo, a opção foi boa pois nos limpou.
Assinamos em 5º lugar e primeira dupla. A adrenalina bateu forte e uma decisão a ser tomada rapidamente: “Seguir ponteando correndo o risco de nos perder ou aguardar outras equipes e seguir junto no cabuloso trekking”?
Mais uma oração e minutos após estávamos correndo a sós. Chegamos a algumas casas onde moradores tentavam nos explicar a trilha, o que nos valeu perda de tempo e erro no caminho. Retornamos e encontramos por si só a trilha.
Tínhamos apenas um pensamento: sair do trekking ainda sob a luz do Sol. Calculei que se desse certo estaríamos pegando os barcos por volta das 5 da tarde.
Fomos seguindo a trilha muito mal definida que por muitos momentos se transformava em alagadiços sem destino. Nesta hora seguíamos novamente o conselho do Tio Lucas: reza brava.
Fechamos o trekking em 3 horas e meia com uma navegação impecável e rápida. Sem erros e vara-mato. Quando tudo é para dar certo, até o caminho errado nos leva ao destino desejado.
Auxiliados pelos espíritos da Floresta saímos remando felizes como nunca e falando com os pequenos jacarés que mergulhavam a nossa volta.
Após pouco mais de 4 horas e para a surpresa de todos alcançávamos o PC5 para pegar nossas bikes e seguir para a Chegada na cidade.
Após 1 Km do PC, um pneu furado poderia por tudo a perder. Trocamos voando e o danado não enchia. Voltei alucinado ao PC para pegar uma nova na caixa de reabastecimento.
Trocado o pneu seguimos forte sob chuva e sobre lama. Enfim o asfalto. Mais alguns Kms estaríamos entrando na cidade.
Era irreal. Primeira equipe. Vitória. Raça. Determinação. A alegria e o sabor são indescritíveis. Olhos cheio de lágrimas e uma emoção profunda.
Abraços, medalhas, beijos e um PF (prato-feito) de causar inveja a comida da mamãe!
Valeu Lucas, valeu família Chauás, valeu Saci!
Rui Seabra
Saci
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