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Relato

Etapa Águas de Lindóia  - 10 e 11 de Março
Válida pelo RBCA- Ranking Brasileiro de Corridas de Aventura.

Relato Voitto / Kalonopé - Chauás Summer Night - Corrida de Aventura Águas de Lindóia - 10/março/2007

As equipes largaram no Trekking do centro da cidade de Águas de Lindóia sob sol escaldante às 11h da manhã. Eram 21 quartetos para a Expedição, 19 duplas para o Summer Night (nossa categoria) e 15 duplas para o Series (info: planilhas de tempos).

A subida da estrada em direção ao morro já anunciava a dificuldade que estava por vir. Com as equipes todas emboladas, a Voitto / Kalonopé, na formação Denis Luque e Zé Roberto Lopes, encarou a trilha íngreme em direção ao topo do Morro Pelado. Parecia um grande caminho de formigas, vencido a passos ritmados pelo som das batidas do coração, muito íngreme, o sol judiava, pedras soltas, sem sombra. No alto do morro no PC1 com gatorade (ah! frozen gatorade!) dava pra ver a fila de smurfs com uniformes cores azul e branco derretendo no calor. Corremos para oeste em direção ao PC2 onde pegamos as Bikes, rápida transição, descemos um teco de asfalto e encaramos vários km de estrada de terra, navegamos rapidamente e pulamos para a 4ª colocação no PC3. Muito sobe e desce, PC4 ainda na bike, a magrela olhava pra mim como o cavalo de corrida do filme Sea Biscuit.

Chegamos ao PC5, transição para o Duck, saímos correndo até o rio enquanto vestíamos os coletes flutuadores, caímos na água e descemos o Rio do Peixe... aquele breve silêncio que precede a perigo... olhos atentos, coração bombando, braços rígidos a cada remada. Portagem pelo pasto, o duck pesava muito, voltamos pra água e encaramos as corredeiras e cachoeiras com o nosso duck banana-inflável, "Rema forte!!!", o rafting foi animal, irado!

Numa das quedas meu parceiro de equipe Zé Roberto foi jogado pra fora, deixou seus óculos de sol para os peixes albinos mas não largou o remo!

Resgatado na margem logo abaixo, continuamos, passamos outras quedas, até ser minha vez de catapultar pra fora. A força das águas nas pedras era algo incontrolável, turbilhões de enxurradas, estrondos de assustar. Acho que causei um distúrbio ecológico de tanta joelhada que dei naquelas pedras.

Logo na seqüência havia outra grande cachoeira e eu ainda era levado pelo rio tentando me agarrar em alguma pedra com uma mão, pois a outra segurava o remo. Parei bem no meio do rio, à frente uma fita zebrada indicava grande perigo, teríamos que descer remando contornando pelo meio mais à direita.

Grudado nesta pedra esperei o resgate do Zé Roberto, que pulou para o leme, passou por mim e eu pulei pra dentro do duck, deu pra ver a cara de espanto e preocupação do Thiago que fazia a segurança no local, com seu "cabo resgate" nas mãos, pronto pra um salvamento de emergência! Passamos por ele enquanto ele gritava "por ali! ali!" e encaramos a queda irada na seqüência.

Uhuu!!! Voltei para o leme e encaramos trechos mansos e trechos de quedas, até que uma seqüência de quedas chacoalhou a gente sem dó. Viramos, os dois pra água, o Zé segurou os remos, eu segurei o duck que já virava cambota e paramos bem no meio de todo aquele turbilhão! Parecia intransponível no primeiro instante, mas respiramos fundo e rapidamente eliminamos o pânico que iria se formar. Vimos o duck da equipe que vinha atrás passar vazio...
eles ficaram nas pedras. Traçamos um plano pra sair dali com relativa segurança... bem relativa mesmo... "Um, dois, vai!!" Jogamos o duck na água ao mesmo tempo em que pulamos dentro dele e já saímos remando forte descendo a cachoeira nuuuma velocidade! Uhuu de novo!! Depois de outras cachoeiras bem sucedidas, chegamos ao PC6 na 3ª colocação onde deixamos o duck, cruzamos o rio a nado e iniciamos um Trekking de volta ao PC7/PC5.

PC7, caixa de reabastecimento, chuva torrencial pintava o céu em estrias, vestimos os anoraks. De volta às Bikes, estrada de terra. A chuva deu trégua mas as subidas não deram. Cruzamos Lindóia, seguimos adiante por trechos de longas subidas, zigue-zagues, várias bifurcações, anoiteceu. Largamos as bikes no PC8 e seguimos correndo no Trekking serra acima. Corríamos no plano e nas poucas descidas, marchávamos nas subidas íngremes numa ascensão de 400 metros. Achamos a entrada da Trilha dos Velhinhos. "Tem este nome por que até velhinho consegue passar ou por que se vc entra jovem só sai velhinho?"

Era uma trilha Chauás... Embolamos com as outras duas equipes que estavam na nossa frente. Decidimos contornar morro acima pelo que no mapa era uma estradinha, mas no chão era uma trilha abandonada com muitas erosões, fechada em alguns trechos, outros não constavam no mapa, íngreme que dava dó. Marchamos mais pra cima. Deu dó mesmo. Lá em cima no topo da serra encontramos a estrada para o PC9, onde assinamos a ficha na primeira linha e estimei que tínhamos ainda uns 10 minutos de vantagem para o segundo colocado. Saímos da estrada numa outra trilha que agora descia a serra em direção à cidade. Preocupados em manter a 1ª posição, apertamos o passo e olhávamos para trás a todo instante. Fim da trilha na rodovia, pulamos a cerca, corremos no retão até a chegada num gás que tiramos nem sei de onde, depois de 10h40min de prova chegamos ao PC10/Chegada!

Parabéns à organização pela excelente prova! O rafting foi um delicioso desafio. Agradecimentos aos que nos apoiaram e nos compreenderam pelas várias horas de treino e dedicação.

Denis Luque


 

Agradecemos nossos parceiros que nos honram, acreditando em nossos sonhos e ideais...
Hospedagem www.valever.com