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Equipe Paranaventura Financeira Renault

O dia começou bem cedo para nossa equipe, formada por Gilles Martinon, Fernando Marquete, Laércio J. Kazmierzcak e Vanessa Cabrini, pois pontualmente as 5horas e 50 minutos do dia 14/08 nos reunimos na casa da Vanessa para “socarmos” todos nossos equipamentos no Kangoo do Gilles e iniciarmos nossa pequena viagem de 350km até Peruíbe, litoral de São Paulo, palco da segunda etapa da Expedição Chauás.

Chegamos em Peruíbe por volta das 9 horas e 15 minutos, onde iniciamos a maratona pré-prova, entrega de fichas, checagem de equipamentos, exame médico, projeto social, retirada de mapas , plotagem dos PC´s, briefing, retirada do kit de prova, entrega das bikes, traçar a estratégia para a prova e entregar a caixa de reabastecimento. Ficamos muito felizes pela grande quantidade de pessoas que vieram nos cumprimentar. Um dos pontos gratificantes em eventos desta natureza é a possibilidade de fazer novos amigos. Almoçamos num restaurante próximo ao local da largada.

Ao nos alinharmos no pórtico para a largada, o menino Hadi (C.A Paulistano) que estava ao nosso lado e ao saber que éramos a Paranaventura, comentou que venceríamos a prova. Pra falar a verdade, nunca entramos numa competição com a “neura” de ganhar, apenas procuramos competir e principalmente nos divertir, talvez seja essa a chave para nosso bom desempenho em provas.

Pontualmente às 14 horas o Lucas começa a contagem regressiva para a largada, e depois do tradicional 10,9,8....3,2,1 as mais de 50 equipes participantes da prova, vindas do PR, SP, MG,GO,RN,DF,Argentina e Paraguai, começam os 120km (entre trekking, bike e remo) estipulados para a prova. Inicialmente seguimos correndo até a praia. O PC1 foi apenas para forçar as equipes a seguirem pela praia, sem necessidade de registrá-lo. Passamos um rio a nado, fundo o suficiente para nos molharmos inteiramente, a correnteza também estava forte. Continuamos correndo depois da pequena natação, agora já entre as 5 primeiras equipes. Subimos por uma trilha, e ganhamos o asfalto que em 6km nos levaria até o PC2. Seguimos num ritmo bem forte, correndo praticamente o tempo todo, não aliviamos o ritmo nem nas inúmeras subidas. O visual do “marzão” ao lado era fantástico. Registramos o PC 2 em quinto lugar, a apenas 2 minutos dos líderes. Como deveríamos subir o Rio Guaraú, optamos, assim como todas as demais equipes, por um carrega duck pela praia de aproximadamente 1km, ao invés de tentar seguir remando pelo mar, que estava bem “batido”, até a entrada do rio. O Fernando e a Vanessa foram correndo na frente, enquanto eu e o Gilles, que não quis se desgastar muito logo no inicio da corrida, seguimos apenas andando num ritmo forte. Eu também estava saindo de um forte resfriado e estava com minha respiração muito alterada.

Colocamos os ducks na água na terceira posição, bem atrás da equipe Selva e da Martin Pescador. Conseguimos manter um bom ritmo nas remadas e logo ultrapassamos a Martin e encostamos na Selva. Impressionante a transparência da água nos últimos 2km, até o rio tornar-se inavegável. Saímos juntos com a Selva para mais 2km de carrega duck, tarefa que eles executaram com mais eficiência e chegaram ao PC4/AT com 3 minutos de vantagem sobre nós. No PC a Selva constata que suas bikes não estão lá. Este detalhe também trouxe um pequeno inconveniente para nós, pois eles ganhariam uma bonificação (justa) e um pequeno e precioso tempo para descansar e se alimentar. Fizemos uma transição rápida e partimos para 22km de bike até o PC5. Logo no inicio passamos pelo caminhão que trazia as bikes que faltavam, calculamos de 10 a 15 minutos a bonificação que a Selva teria direito.

Passamos pedalando por dentro da cidade de Peruíbe, despertando a curiosidade das pessoas que nos incentivavam quando passávamos. Nos alimentamos enquanto pedalávamos. Ganhamos também a indesejada companhia de um ciclista que resolveu seguir na nossa roda. Chegamos no PC5, largamos as bikes e subimos até as ruínas para registrar o PC.

O trekking até o PC6, na aldeia indígena foi tranqüilo, como tinha muita areia nas trilhas procuramos andar mais e trotar menos, poupando-nos. Registramos o PC 6 e depois o PC7, localizado numa estação ferroviária abandonada. O Gilles optou em não seguir pelos trilhos para retornar ao PC8 (mesmo que o PC5), caminho aparentemente mais curto, a preocupação era não achar a trilha de saída. Já perto do PC8, encontramos várias equipes que ainda chegavam de bike ao PC5. A equipe Selva também nos alcançou. Registramos o PC8, tinha muita gente e bikes lá, e numa transição rápida saímos na frente.

Novamente o percurso de 14 km de pedal foi muito tranqüilo, procuramos fazer num ritmo forte tentando descontar a desvantagem da bonificação 15 minutos que a Selva tinha sobre nós. Chegamos ao PC9/AT e nas caixas de reabastecimento. Novamente procuramos ser rápidos na transição, e saímos no exato momento em que a Selva chegava. Tirando o fato de eu sentir náuseas e dores no peito pelo esforço respiratório devido ao resfriado, o trekking começou tranqüilo, chegamos até a comentar que a prova estava muito comportada, navegação fácil, percurso sem dificuldades e primando apenas pelo aspecto físico. Registramos o PC10 e iniciamos a etapa que, segundo o Lucas, testaria a habilidade dos navegadores, pois a chegada no PC11 teria que ser pela trilha que saia exatamente no PC, sendo proibida a utilização da estrada. Não demorou para perdermos totalmente a trilha e optarmos por um “rasga mato” na direção sul. Felizmente o mato não era muito fechado, mas infelizmente o terreno em alguma partes era um charco só. Em dois momentos o Fernando, que seguia na frente abrindo o caminho, afundou até o peito e num deles ainda teve que agüentar o Gilles pedindo impaciente para que saísse do caminho para que ele pudesse “pular” até um pequeno barranco. Demos muita risada destas situações inusitadas, aquilo sim agora era uma prova da Chauás. Voltando ao “perengue”, achamos uma trilha que suspeitamos que nos levaria até a estrada proibida, como não tínhamos uma noção muito boa da nossa localização o Gilles sugeriu que fossemos até perto da estrada e retornássemos para então localizar a trilha certa, mas logo achamos um trilha que seguia num azimute coerente e arriscamos .Pra nossa infelicidade avistamos a estrada proibida, e nela a equipe Matero, já correndo rumo ao PC12. Eles ainda gritaram para nós – “RASGA MATO QUE TÁ PERTO” – e estávamos mesmo, avistamos o referido PC a apenas 200 metros de onde nos encontrávamos. Para não sofremos a penalização de 2 horas, seguimos num “vara mato” ao lado de uma cerca. Levamos 20 minutos para conseguir vencer os 200 metros até sairmos na frente do PC. A título de comparação, levamos apenas 3 minutos para chegar ao mesmo ponto voltando pela estrada depois que registramos o PC11. Enquanto registrávamos o PC avistamos a Selva chegando, a poucos minutos de nós.

Retornamos trotando até o PC12=PC9/AT, e novamente nas caixas de reabastecimento. Registramos o PC á apenas 14 minutos atrás da Matero. Nova transição rápida e saímos para mais uma perna de bike. Na saída passamos por varias equipes que ainda chegavam de bike para iniciar o trekking. Esse foi mais um dos pontos positivos da corrida, pois esses “encontros” possibilitavam aos atletas de acompanharem o desempenho das demais equipes.

Na empolgação saímos “socando o pedal”, e deixamos o Gilles um pouco para trás, resultado, perdemos a entrada do caminho que o Gilles havia planejado e como o Fernando “sumiu” na frente, fomos obrigados a seguir por um caminho que aumentou nosso percurso em 4,5km, detalhe, por uma estrada com muitas pedras soltas e uma subida infernal. A única vantagem é que poderíamos retornar pela mesma estrada, facilitando a navegação rumo ao PC16. Passamos em sentido contrário, por várias equipes da categoria Adventure que se “assustavam” ao nos ver subindo por ali.

Mesmo com este contratempo, chegamos juntos com a Matero no PC13. A Vivi (Matero) ao nos avistar desabafou – “Poxa, alegria de pobre dura pouco...”. Seguimos juntos com eles até o PC15. Entre o PC14 e o PC15 seguimos num single treck, onde foi necessário transpor 3 cercas de arame farpado com as bikes. A Vivi levou um pacote de bike ao cruzar um riacho, bem ao meu lado, me safei do “chão” por pouco. A Vanessa também caiu ao cruzar um pontilhão empurrando a bike, e por muito pouco não se machucou. Incrível como mudou totalmente o perfil da prova, que agora era só “perengue”. Registramos o PC15, onde precisamos transpor o rio com água até o peito, pedras lisas e bike nas costas, utilizando uma corda guia, já que a correnteza era bem razoável. Fizemos um empurra bike por mais 1,2Km, a Matero acabou ficando para trás e a Selva colou novamente em nós. Incrível como estava sendo a disputa pela liderança da prova, a diferença entre nós e a Selva em todos os PC´s tinha sido de poucos minutos até então.

Retornamos pelo mesmo caminho que havíamos feito para chegar ao PC13, e como o mesmo já era conhecido “descadeiramos ladeira abaixo”. No PC 16/AT, precisamos encher os ducks antes de iniciar a perna de remo, última etapa da prova. O Fernando e a Vanessa ainda tiveram a infelicidade de escolher, entre tantos, um duck com uma válvula quebrada, sorte que perceberam logo o problema. A Selva chegou apenas 4 minutos depois de nós. E eles ainda tinham a bonificação... Ducks cheios, nos lançamos no rio...rio uma ova era um valetão mesmo, estreito e raso, o que nos obrigava a todo instante de puxar o duck pela água. Em um trecho o rio simplesmente sumiu, neste ponto encontramos com uma dupla da categoria adventure que estava lá parada, eles ainda gritaram para nós meio sem saber o que fazer, - “Cara.o rio sumiu...”. Saímos rapidamente para uma trilha até um charco, procurando por uma “poça” onde pudéssemos voltar a “remar”... Precisamos transpor ainda duas ou três pequenas barragens, até que o rio começou a ficar “remável”. O rio fazia jus ao nome RIO PRETO, e como era fétido. Remamos muito forte, tentando abrir tempo suficiente sobre a bonificação da Selva. Passamos por várias equipes da categoria Adventure. Saímos do rio e mais 1Km de “carrega duck” o Gilles agora ditou um ritmo bem forte. Deixamos os ducks e passamos a linha de chegada abraçados, pontualmente às 3 horas e 15 minutos. Restava-nos agora torcer para que a Selva demorasse mais de 15 minutos para completar a prova. Enquanto esperávamos, tomamos um caldo de peixe quentinho que a organização havia providenciado para os atletas na boate Canil, bem na frente do pórtico de chegada, onde rolava a maior “balada”. Quando deu 3:30, e não avistamos ninguém chegando, vibramos, e muito, pela nossa 8 vitória consecutiva disputando com nossa equipe principal. Depois foi só arranjar um lugar para tomar um bom banho e dormir um pouco. No outro dia ficamos sabendo que a Selva só havia chegado 31 minutos após.

Na cerimônia de premiação ficamos extremamente lisonjeados pelas palavras do Lucas ao nos entregar o troféu e nos classificar como uma das melhores equipes do Brasil. Sentimos também muito orgulho nas palavras do Hadi (C. A Paulistano) logo após a cerimônia, que aliás, ele e o seu pai é que nos dão um grande exemplo a ser seguido, afinal, quantos de nós tem o privilégio da companhia do filho, ou do pai, numa corrida destas? Eu gostaria muito desta felicidade.

Parabenizamos ao Lucas (sabemos que ele põe o “coração” nas provas que organiza) e toda a equipe da Chauás por mais esta exigente e inteligente prova. Nossos parabéns também às equipes amigas Matero e Selva, que por sinal, basta ver a planilha dos tempos para perceber que a Selva não nos deu trégua em momento algum, mas acima de tudo foram sempre éticos e amigos. Impressionante a força deles. Nossos parabéns também a todas as equipes que completaram a prova, em especial a Ecosystem-PR (que correu com a Daiane e o Maurício, ambos da integrantes ativos de nossa equipe) e à sétima colocada na etapa, nossos amigos e companheiros do Paraná, a Body Imports de São José dos Pinhais.

Nossos agradecimentos especiais à FINANCEIRA RENAULT pelo patrocínio à equipe PARANAVENTURA, e aos nossos importantes apoios, a SALOMON, que nos fornece excelentes equipamentos e vitais para um bom desempenho, a academia FÁBRICA DO CORPO, e ao JAMUR BIKES, responsável pela manutenção das nossas bikes, que apesar de tudo não nos deram problemas.

Valeu amigos.

Laércio J. Kazmierczak
Equipe PARANAVENTURA/FINANCEIRA RENAULT
http://www.paranaventura.com.br

 

Agradecemos nossos parceiros que nos honram, acreditando em nossos sonhos e ideais...
Hospedagem www.valever.com