Dezessete horas de prova! E que prova! Realmente é apaixonante passar por tudo isso e cruzar a linha de chegada, não importando o lugar e sim conseguindo vencer mais um desafio em minha vida. A largada foi às 14:00hs do sábado e minutos antes a ansiedade já batia e o coração apertava. Tinham em média 40 equipes com um único objetivo e desafio: cruzar a linha de chegada.
Foi dada a largada e o sentido só podia ser a praia. Devíamos contornar a costeira para pegar os ducks que estavam na praia ao lado. Um rio cruzando a praia e natação para todos. Começamos a subir o morro, subimos, subimos e depois descemos até a praia e carregamos o duck por uns 500 metros até a chegada em um rio. Conseguimos passar várias equipes no remo. O percurso tinha ao todo uns 10 Km. Isso era só o começo, pois ao final do duck tínhamos que carregar mais 1Km até chegar na transição para as bikes. Aí o bixo começou a pegar. Sabe aquela costeira que subimos e depois descemos, descemos? Teríamos que subir de bike. Para mim foi o pior percurso, com uns 6Km morro acima e as minhas pernas, já com muitas cãimbras, e aquela vontade de desistir de tudo tomavam conta de mim. Graças ao Toga, o irmão do Togumi, um personal adventure, consegui subir após algumas massagens e muita conversa.
E dale pedal! Estava indo no meu ritmo, faltavam mais uns 10Km e não adiantaria pisar fundo e depois quebrar, então decidimos que o importante era conseguir chegar no final. Já anoitecendo deixamos a bike e fomos para o primeiro trekking, 15Km bem tranquilos. Minhas pernas ameaçavam dar câibras, se não era na parte superior da coxa, era atrás ou panturilhas, ou seja: sofri, chorei, mas consegui.
Foi no final do trekking que o Edu resolveu desistir e me incentivou a desistir também. Foi quando quase joguei tudo para o alto. Ele dizia que não queria se machucar e como estávamos em 29º resolveu parar. Foi aí que pensei: estou aqui, gastei uma grana que não poderia gastar, deixei meus filhos, esperei até esse dia e me entregar? De jeito nenhum!!! Já passei por tantas na vida e consegui vencer, porque eu não conseguiria chegar no final ?!? Então levantei a cabeça e segui com meus dois amigos, já desclassificados e sem aquela neura de competição.
Foram mais 15Km de bike até chegar na escola onde estava nossa caixa de reabastecimento. Foi bem tranquilo e sem cãibras. Estávamos no PC 9 e teriam mais 8 pc´s. Deixamos a bike e partimos para os PC's 10 e 11 em um trekking no meio do charco, onde a navegação contaria muito, visto que a mata era bastante fechada. Várias equipes não conseguiram chegar no PC 10 e resolveram levar a penalização de 2 horas e outras acabaram desistindo. Nós estávamos dispostos a encontrar esse tão escondido PC11, com charco até a coxa e batendo muito a canela e a cabeça. Depois de 3 horas achamos o PC meio que na sorte e voltamos para a escola para pegar as bikes.
Já eram 2 da manhã e o cansaço era nítido. Não conseguia comer. Não descia nada, mas fazia um esforço e comia sabendo que ainda tínhamos uns 20Km de bike e mais 20Km de duck até a chegada que foi montada na praia central de Peruíbe. Pelo menos eu estava satisfeita comigo mesma de não ter desistido. Se eu tivesse parado estaria muito mal e não me perdoaria jamais. Eu tinha que tirar a prova e seguir até o fim. Não podia esperar muito de mim, afinal era minha 1ª prova e não tive tempo suficiente para treinar o suficiente. Estava no meu limite e sabia que o importante era continuar nesse ritmo até o final.
Sofremos o corte no PC13 e então seguimos para os ducks, ou seja, trekking duck em um filete de água para começar. Muito charco e o braço pesava. O duck parecia mais pesado e a vontade de chegar era enorme. Com a água gelada e o frio subíamos no duck mas dávamos 4 remadas e o duck encalhava novamente e então tínhamos que sair, empurrar e se molhar, váris vezes até a cintura. Parecia que iria ser assim até o final, mas até que o rio se alargou e conseguimos remar quando faltavam uns 18 Km. Mesmo assim conseguimos passar umas 2 equipes.
Estávamos em três pessoas utilizando dois ducks e então revezamos para remar sozinho. O sono começou a tomar conta de todos e eu não via a hora de chegar logo, tomar um banho e dormir numa cama quentinha. O dia começou a clarear e o frio aumentou. Nunca tinha visto o dia amanhecer dentro de um duck!! Foi lindo, valeu por todas as dores no meu corpo e no meu pé.
Chegamos na praia às 5 da manhã e ainda tínhamos que levar o duck até a metade da praia. Parecia que não ia chegar nunca, mas não é que chegamos e cruzamos o portico em 28º lugar ?!?. Tiramos até foto!! Não podia deixar de registrar minha primeira prova.
Agora ficam as lembranças, as dores no corpo inteiro e uma lição de vida muito importante: não desistir nunca e acreditar no seu potencial. Só nós sabemos onde podemos chegar e eu cheguei e completei a tão falada prova em que várias equipes não conseguiram completar: Expedição Chauás. Agradeço aos meus amigos de equipe que cuidaram muito bem de mim e me incentivaram sempre a não desistir, pela paciência da equipe e também a todos que me incentivaram a cruzar a linha de chegada: Pedro, Zolino, Cau, Solo, Try on e muitos amigos... Agora é treinar, treinar, treinar...... e esperar a próxima. Valeu muito!!
Grande Abraço
Fabiana Ferreira