Equipe Paranaventura / Financeira Renault |
Depois de um período sem provas, estávamos novamente nos reunindo para participar de uma competição, com uma pequena alteração na equipe, visto que a atleta Vanessa Cabrini havia lesionado o pé duas semanas antes, e ainda estava em recuperação, sendo então substituída pela Daiane. Não estaríamos com nossa formação “principal”, mas isso não queria dizer que a equipe havia perdido a competitividade, muito pelo contrário, estávamos tão competitivos quanto antes. Poucas equipes podem se dar ao luxo de ter duas atletas tão esplendidas como nós.
Por volta das 7 horas da manhã estávamos com a equipe toda reunida, formada por mim, (Laércio), Fernando, Gilles e Daiane, já a bordo do Kangoo e a caminho de Eldorado. Sofremos um pequeno atraso na nossa programação, mas por um bom motivo, quando passei para pegar o Fernando ele quase esqueceu o seu “talismã”, a camisa do Furacão, pois em todas as provas em que ele foi com a bendita nós acabamos vencendo. Por via das dúvidas voltamos para pega-lá. Vai saber....Peço aos coxas que não deixem de torcer por nós, pois também temos uma coxa-roxa na equipe, a Vanessa.
O Maurício, outro integrante da PARANAVENTURA/FINANCEIRA RENAULT, estava completando a equipe Marumbi JAMUR BIKES dos nossos amigos Clodoaldo, Paulinha e Sílvio.
Chegamos na praça de Central de Eldorado por volta das 9horas e 20 minutos, daí foi um tal de pega mapa, plota mapa, checa equipamento, entrega cesta básica (projeto social), pega kit, conversa com amigos de outras equipes, prepara caixa de reabastecimento, mede caixa de reabastecimento, entrega bike no PC5 (na entrega da bike cometemos um pequeno erro de navegação, passamos da entrada e pegamos uma estrada paralela uns 800metros depois, ainda bem que foi antes da corrida...quem “navegava”??? eu é claro...), almoça, prepara mochila, põe o uniforme de “guerra”, passa vaselina, alonga, se alinha no pórtico de largada (por sinal foi um empurra-empurra só) com outras 51 equipes de vários estados do Brasil, bem como duas Uruguaias e uma Argentina, contagem regressiva e CORRERIA....
A largada aconteceu pontualmente ás 14 horas do dia 05/06/04, sendo que os atletas precisavam contornar a praça, pegar os remos e seguir até o rio para a primeira etapa de Remo. Conseguimos manter um bom ritmo nessa correria inicial, e fomos uma das primeiras equipes a colocar os ducks na água. Ficamos um bom tempo em segundo, mas acabamos caindo para sexto, devido a algumas escolhas erradas de posicionamento no rio, isso na ânsia de tentar pegar a correnteza mais forte. Saímos da água em sexto, onde novamente enfrentamos “engarrafamento” pois na trilhazinha de saída só passava um duck de cada vez, e pra ajudar era um atoleiro só. Foi necessário chamar a atenção de algumas equipes para o fato que, todos ganhariam tempo se ajudássemos uns aos outros e saíssemos um de cada vez, ao invés de tentar atropelar todo mundo...
Logo na saída, enquanto o Gilles se orientava, resolvi tirar o colete salva vidas, mas ele foi mais rápido, e lá fui eu colocando mochila e correndo ao mesmo tempo... Seguimos até uma casa, praticamente na frente do PC2/AT, na esperança de que nos fundos tivesse alguma trilha que nos levasse ao pé do morro que deveríamos contornar, mas fomos informados que não havia passagem, e que deveríamos seguir um pouco mais pelo asfalto. Voltamos correndo, e escutamos alguém gritar, - Olha lá, ele está sem o capacete, o Fernando chegou a falar, - Quem será o mané que esqueceu o capacete??? Passei a mão na cabeça e descobri que o mané era eu...Havia esquecido o desgraçado na hora de tirar o colete salva vidas. Bom, alguém tinha que substituir a Vanessa né??? (pra quem não sabe, ela também esqueceu o capacete numa parada na outra etapa da Chauás, e fez o Fernando voltar quase 5km para recuperá-lo...). Sorte minha que o Lucas já estava com o famigerado no carro, bem atrás de nós. Valeu mesmo...
Achamos a trilha, e fomos ultrapassados por algumas equipes, seguimos trotando quando o terreno permitia, caímos numa trilha mais fechada, com algumas bifurcações suficientes para confundir parte das equipes que haviam nos ultrapassado. Caímos na estrada e seguimos trotando rumo ao PC3. Em boa parte desse caminho tivemos o prazer da companhia da equipe Trópicos. No caminho havia uma caminhonete que tinha um banco de praça na carroceria, e uma turma bem “animada”, que além de incentivar, insistia em nos oferecer cerveja. Passamos por eles várias vezes no decorrer da prova. No caminho o Gilles já analisava o terreno, informando-nos que seria possível um rasga-mato para cortar caminho para o PC4. Registramos o PC3 em 4o lugar, mas muito próximos dos líderes. Optamos em fazer o rasga mato, tática correta que nos levou diretamente onde desejávamos, o pessoal da Trópicos nos seguiu. Tentamos ainda achar uma trilha que nos levaria pelo morro até o mirante e ao PC4, mas alguém falou para prestarmos atenção na carta, que a trilha que procurávamos era na realidade divisa de municípios... Isso que dá esquecer da legenda...Fomos trotando nas retas e descidas da estrada, andando e empurrando o Gilles nas subidas para poupa-lo. Navegador descansado comete menos erros...
Mesmo assim, pegamos uma entrada errada, que caiu num bananal, o Gilles comentou onde havíamos errado, nas optamos um varar mato morro acima até achar o caminho correto. Saímos na trilha bem na frente da Trópicos, que espertamente, haviam pego o caminho certo. Chegamos no PC4 no mirante do Cruzeiro, e ficamos triplamente surpresos, primeiro pelo visual, o mais fantástico de toda a prova, lembrou-me porque gosto tanto de corridas de aventura, em segundo pela planilha do PC, pois éramos a 8a e a 9a equipes a chegar ali (a Trópicos estava colada conosco), chegamos a imaginar que havíamos perdido muito tempo e colocações no “varra-mato”, mas pra nossa felicidade fomos informados que as seis primeiras equipes eram da prova curta, e que estávamos na vice-liderança da prova, e em terceiro lugar porque a Mitsubishi SALOMON Quasar Lontra ainda não havia passado por lá.
Despencamos morro abaixo, eu já tentando controlar alguns princípios de câimbras. Quase no final da trilha passamos por uma “galera” que estava subindo rumo ao PC4, sabíamos que nossa vantagem para aquele “pelotão” não era tão grande. Procuramos trotar até o PC5/AT, já que era praticamente um descidão só. No PC constatamos que nossa diferença para os Uruguaios, que lideravam a prova, era de 35 minutos. Fizemos uma transição super rápida e partimos para os 20km de bike até o PC6, trecho que por sinal foi bem tranqüilo, tanto de navegação como de percurso.
Chegamos no PC6/AT, e ao entregar as bikes, esqueci de avisar o Gilles, que vinha logo atrás, de uma valeta no caminho, resultado, o coitado se “esborrachou” com bike e tudo no chão, por sorte não se machucou e nem danificou a bike. Registramos o referido PC apenas 21 minutos atrás dos líderes. Perdemos uns 8 minutos na transição, procuramos nos reabastecer de líquidos e nos alimentar. Por incrível que pareça, fui o primeiro a “ficar pronto”, mas a alegria durou pouco, o fiscal do PC queria ver a corda e o Kit de primeiros socorros que estavam no fundo de minha mochila. Lá fui eu novamente o último a concluir a transição...
Pegamos nossos remos e seguimos para os 11km de trekking até o PC7/AT. Logo no começo induzi o Gilles a um pequeno erro de navegação, pois ao chegar numa porteira onde dizia “proibida a entrada”, comentei com ele que aquela estrada daria somente na casa, e retornamos, não demorou a perceber que o caminho certo era realmente por lá. Seguimos trotando quando o barro deixava, por sinal acho que o Lucas recolhe todo o barro de uma etapa para colocar na etapa seguinte, de forma que os competidores o agradeçam por faze-los carregar os remos, que cara “bonzinho”...
Esse trekking foi com certeza o trecho mais complicado em termos de navegação, mas tivemos muita sorte, porque quando chegamos na margem do rio, e onde nosso GPS-MAN (o Gilles) ficou com dúvidas, surgiu uma voz do nada nos alertando para não entramos no rio, pois o mesmo era fundo e que iríamos nos afogar, também gritou de longe que havia uma trilha que seguia pela mata e que costeava o rio, mas que deveríamos tomar cuidado, pois existiam muitas ramificações. Achamos a tal trilha e seguimos por ela, o Gilles comentou que a mesma era “boa”, e o azimute batia. Foram mais ou menos uns 2 km de trilha fechada com muito barro, tornando a progressão muito lenta.
Já estávamos conformados um brigar apenas pela segunda posição, quando avistamos algumas luzes na trilha, e para nossa surpresa, eram os uruguaios junto com uma equipe da prova curta, eles estavam voltando pela mesma trilha que seguíamos. Trocamos algumas palavras, eles afirmavam que haviam atingido o rio e não haviam encontrado o PC. Estranhamos o fato e resolvemos averiguar, os uruguaios também voltaram. Quando chegamos no tal rio, constatamos que era penas um córrego e que estava representado na carta, o pessoal da prova curta acreditava que seria aquele o do duck, e acabaram induzindo os uruguaios ao erro, para nossa felicidade. Chegamos todos embolados no PC7/AT.
No PC tratamos de encher rapidamente os ducks, e quando começávamos a encher as segundas “bananas”, escutamos um barulho que foi uma verdadeira melodia para nossos ouvidos, um tal de TSSSSSSSSS, eram os uruguaios que não haviam travado as válvulas e voltavam praticamente a estaca zero. Os caras xingaram muito.... A sorte estava do nosso lado...
Colocamos os ducks em primeiro na água e começamos a remar forte, uns 2km abaixo avistamos umas casas, de onde veio a voz que havia nos alertado para a trilha. Havia um pouco de neblina no rio, o que nos obrigou, em alguns momentos, a apagar as head lamps para avistarmos melhor as margens e curvas do rio. O visual do rio foi maravilhoso, principalmente pela lua. A correnteza também era muito boa.
Chegamos no PC8/AT, o pessoal do PC comentou que estavam torcendo para nós ganharmos dos uruguaios, pegamos as bikes e saímos. Pedalamos aproximadamente uns 800m e tivemos que parar para nos agasalhar melhor, pois fazia muito frio, molhados e com o vento começamos literalmente a “bater queixo” e logo teríamos hipotermia. O Trecho de bike de 30km foi novamente bem comportado, navegação simples e percurso sem grandes dificuldades técnicas. Pegamos o PC virtual e logo atingimos o asfalto que nos levaria para a chegada. Pedalamos forte os 13km de asfalto já certos de nossa vitória, depois do trevo começamos a vibrar muito nos 4 km finais.
Cruzamos o pórtico de chegada, na pousada Recanto das Águas às 02:25 da manhã do dia 06/05, vencendo os 100km estipulados para a prova em 12horas e 25 minutos.
E o que fizemos logo após a prova?? Primeiro aquele prato de sopa quente da Pousada, divino, e depois acordar a Vanessa ás três da madruga é claro, não poderíamos deixar de compartilhar nossa vitória com ela.
Mais uma vez o Lucas e todo o staff da Chauás conseguiram elaborar e por em prática uma prova fantástica, com um perfil um pouco diferente dos padrões Chauás, mas perfeita. Parabéns a todos eles.
Quanto a minha equipe, só tenho que enaltecer a união e o desempenho do Fernando, do Gilles, perfeito novamente na navegação, e da Daiane, que tão bem substituiu a Vanessa.
Nossos agradecimentos também ao nosso patrocinador, a FINANCEIRA RENAULT, que viabiliza nossas participações em provas, e a aos nossos apoios, a SALOMON, que nos fornece ótimos equipamentos, a academia FÁBRICA DO CORPO, que nos permite treinar a qualquer tempo, e do JAMUR BIKES, pela manutenção perfeita de nossas bikes. Sem a confiança que eles depositaram na nossa equipe nossas conquistas não seriam possíveis.
Aproveito ainda para ressaltar que das 10 primeiras colocadas na prova, 4 eram equipes do Paraná, mostrando todo potencial e força do nosso estado.
Valeu galera.
Laércio J. Kazmierczak
Capitão equipe PARANAVENTURA/FINANCEIRA RENAULT
|