Fomos uma das primeiras equipes a se inscrever para o Chauás – Eldorado, tamanha era nossa vontade de participar de uma prova que tínhamos ouvido ser bastante exigente, tanto fisicamente, quanto com relação à navegação.
Porém, de nada adiantou tanta antecedência. Dois dias antes da prova tivemos que substituir o Thiago que não poderia participar.
Então chamamos o Luciano que aceitou de imediato meio que sem saber onde estava se metendo pois era sua primeira corrida de aventura. Mas até então era tudo alegria.
Então, competimos com a seguinte formação: Pin (eu), Edgard, Carol e Luciano.
Optamos por sair de São Paulo no dia da largada uma vez que a mesma estava prevista apenas para as 14:00 horas.
Acordamos às 4:45horas. Seria tempo suficiente para chegarmos na cidade de Eldorado sem correria, não fossem alguns detalhes, como termos que comprar alguns remédios para o kit de primeiro socorros, dentre diversos outros.
Pois bem, chegamos em Eldorado às 10:20, perdemos o briefing e tivemos que nos informar com os outros competidores o que havia sido falado. Depois foi uma correria para checar os equipamentos, levar a cesta básica para orfanato, levar as bikes para o local determinado, plotar o mapa, preparar a caixa de reabastecimento, almoçar...ufa!! Foi tanta correria que cheguei para fazer o exame médico e o doutor tomou um susto quando viu minha pressão....16-10!! Até tive que explicar que aquele número era em razão da correria e a ansiedade antes da prova.
Com tudo resolvido fomos para a largada. E foi só o Lucas gritar: “Falta 1 minuto!!”, e o Luciano gritou: “Estourou o zíper da minha mochila!!”
Saímos do meio da galera que se espremia, o Luciano e o Edgard saíram correndo em direção ao carro que estava estacionado próximo para trocar de mochila, enquanto eu e a Carol ouvíamos a contagem regressiva.
Porém extremamente rápidos na passagem das coisas de uma mochila para outra, não perdemos tempo nenhum com esse imprevisto.
Dada a largada, contornamos a praça, pegamos os remos e seguimos em alta velocidade até os ducks. Lá foi uma verdadeira guerra para pegar o duck e começar a descer o rio Ribeira do Iguape.
Como não somos fortes nessa modalidade começamos a ser ultrapassados até que, o que acabaria se mostrando uma rotina durante a prova, encontramos com o Hadi da equipe C.A Paulistano. Conversamos um pouco e continuamos o remo até o PC2 onde nova batalha foi travada para retirar os ducks e levá-los até onde a organização determinava. A passagem era apertada e cheia de lama.
Passado o empurra-empurra, largamos os ducks e partimos acelerados em direção ao PC3.
Seguimos no mesmo ritmo em direção ao PC4 que se encontrava no Mirante do Cruzeiro. Após uma parte em uma estradinha de terra, resolvi cortar caminho por uma trilha. Pena que as outras equipes tiveram a mesma idéia. Porém, a opção não se mostrou tão simples, tanto que, em determinado momento encontramos com a Matero, a Brisa e mais umas duas equipes, que estavam tentando achar a trilha.
Sorte que foram apenas alguns minutos até que achássemos o caminho. Seguimos pela estrada de terra, até encontrar a trilha que nos levaria para o Mirante do Cruzeiro, com a equipe da Argentina na nossa cola.
Até ali nossa estratégia estava dando certo. Estávamos com um ritmo bom, sem cometer erros e estávamos na trilha ainda de dia, o que facilitava a navegação.
Até o mirante foi uma subida dura e bastante escorregadia, onde forçamos bastante o ritmo.
A poucos metros do PC4, quase fomos atropelados pelo pessoal da ECO 2 que vinha na direção contrária. O Amauri mais parecia estar caindo do que descendo.
Isso nos empolgou bastante pois era sinal que estávamos bem na prova. Assinamos o PC e paramos para arrumar uma mochila, apreciar a maravilhosa vista e comer alguma coisa, até que chegou a equipe do nosso amigo Hadi, a C.A Paulistano, sempre de bom humor. Passados menos de 10 minutos lá em cima, começamos a descer o morro em ritmo acelerado.
Fim da a trilha fechada, cruzávamos com equipes ainda subindo em direção ao PC4. Foi quando vi uma equipe com todos de calça azul indo também em direção ao Mirante....isso mesmo... era a QuasarLontra. Até fiquei com medo de vê-los ali e comecei a consultar o mapa tentando descobrir em que momento passaríamos por aquele caminho novamente. Convicto de que não chegaríamos nem perto dali outra vez, concluímos que eles deveriam ter tido algum problema ou acidente. A hipótese mais remota era a de terem se perdido, e foi justamente o que aconteceu.
Já na estrada de terra em direção ao PC6 tivemos dois sustos. Primeiro a Carol torce o pé, esperamos um pouco, nada sério, seguimos um pouco mais lentos.
Pouco tempo depois, logo após passarmos por uma ambulância que prestava assistência para a organização, estávamos trotando, quando ouvimos um grito.
Olhamos para trás e o Edgard estava caído gritando de dor. Ele havia torcido o pé de forma violenta e mal conseguia mexer o pé. Esperamos até que ele tomasse uma decisão, de voltar até a ambulância ou tentar prosseguir. Passada a dor, ele optou por tentar continuar, afinal logo estaríamos no PC5 onde partiríamos para um trecho de bike.
E assim fomos, num ritmo mais lento, com o Edgard mostrando muita garra, até finalmente encontrarmos nossas magrelas. Nesse momento fomos ultrapassados pelo pessoal do C.A Paulistano e por mais umas duas equipes
Chegamos, apenas esperamos a Carol colocar as sapatilhas e partimos com tudo. Foi um trecho muito divertido pois tivemos que passar por dentro da cidade. Várias crianças se aglomeravam enfrente suas casas, aplaudiam, gritavam e apontavam desesperadamente o caminho por onde as outras equipes haviam passado. Foi um momento muito legal na corrida.
Como íamos bem rápido, logo alcançamos as equipes que nos haviam passado, incluíndo eles.... isso mesmo.... Hadi e companhia. E assim seguimos até o PC6 onde encontraríamos com a nossa caixa de reabastecimento.
Chegando lá, deixamos as bicicletas, enchemos nossos hidro camels, pegamos comida, capa de chuva e os remos, descansamos por uns 5 minutos e saímos comendo deliciosos sanduíches de presunto e queijo.
Agora começava a parte mais difícil para a nossa equipe. Descobri que o Luciano estava correndo com um tênis 2 números menores e estava começando a sentir dores nos dedos. Além disso, como o outro navegador da equipe (Thiago) não tinha ido, somente eu navegava e isso acabou me desgastando. Então nosso ritmo caiu bastante.
O Luciano ia na frente com a Carol determinando o ritmo e eu seguia atrás dormindo.... pois é.... eu tirava pequenas pestanas e quando ia saindo da estrada o Edgard me acordava. Caminhei nesse esquema por uns 40 minutos até que o sono foi embora. Mas não podíamos forçar pois o Luciano estava sentindo muitas dores.
Finalmente saímos da estrada de terra e pegamos uma trilha fechada, com muita lama e muito escorregadia. Tivemos que parar por 2 ou 3 vezes para que o Luciano tirasse o tênis e massageasse um pouco os dedos. A essa altura, toda empolgação que ele apresentava no começo da prova tinha sumido. Ele caminhava calado, e já pensava em desistir.
Porém apesar de nosso ritmo ter sido bastante lento, não erramos nada na orientação, conseguindo chegar bem no PC7.
Com o frio, cansaço e com medo de que o Luciano desistisse a qualquer momento, ficamos parados neste PC, durante um longo tempo.
Descansamos, tomamos café oferecido pelo pessoal da organização, conversamos com algumas equipes que ali estavam. Outras equipes chegaram, inclusive a QuasarLontra. Novamente estranhei a presença deles ali, então perguntei para o Rafael o que tinha acontecido. Ele explicou que havia entrado numa trilha que não estava no mapa e seguiu por ela durante muito tempo até notar que estava errado e teve então que voltar tudo.
O frio estava forte, então fizemos de tudo para não nos molhar para entrar nos ducks e seguimos para o PC8.
Como havíamos perdido muito tempo no PC7, dessa vez tivemos que acelerar a remada para não pegar o corte. Chegamos faltando 20 minutos para o horário limite. Nos trocamos e saímos com as bikes em direção ao PC9/Virtual.
Como não havia errado nos trekkings que necessitavam de uma maior atenção na navegação, olhei para o trajeto vi que era tranqüilo e relaxei, até porque não agüentava mais olhar para o mapa.
Bastou isso para que cometêssemos um vacilo fenomenal o que acabou nos custando uns 30 minutos.
Pelo menos não tínhamos nos perdido sozinhos. Adivinha quem novamente estava conosco? C.A Paulistano, só que dessa vez o Hadi não estava mais com aquela empolgação de costume, e ainda tomou uma bronca do seu pai, integrante da equipe, quando estávamos analisando o mapa e ele deu uma pequena cochilada: “Acorda filho!!! Agora não é hora de dormir!! Você tinha que ter descansado dois dias antes, mas não!!!! Tinha que sair!!(hehehe)”
Resolvido o pequeno problema familiar e dessa vez sabendo o caminho, seguimos juntos até o final da prova. Detalhe: o pai do Hadi ia parando pelo caminho, pegando bananas e distribuído para todos. Estavam deliciosas!!!
Bom, e assim fomos até a chegada, terminando na 13.ª posição da categoria principal. Mas melhor que nossa colocação foi perceber que a nossa equipe está cada vez mais entrosada, com os mesmos objetivos e todos dispostos a dar o máximo!!
Um parabéns especial para o Luciano que, logo na primeira corrida, já enfrentou uma prova dura como é o Chauás, sempre mostrando muita garra, sem reclamar e sempre procurando ajudar a equipe.
Parabéns para o Lucas e toda organização. Uma prova muita bem organizada com trajetos que exigem um bom preparo físico e navegação e com belos visuais.
Um abraço ao pessoal do C.A Paulistano e parabéns!!
Também gostaria de agradecer a Carol e o Edgard pela garra de sempre!!
Até a próxima!
Abraço
Pin