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Equipe Selva

Expedição Chauás, sabiamos que não seria fácil... e não foi mesmo, mas valeu!!

Largamos de trekking, às 14h do sábado, depois de uma manhã de muita chuva, estava o maior sol. A corrida inicial foi curta (aprox. 4km), mas bem forte. Não nos preocupamos muito em largar na frente, já que a prova era longa, mas conseguimos “encaixar” um ritmo bom na corrida e acabamos chegando no PC1 em 3 o lugar, atrás de uma equipe de locais e da Oskalunga.

A essa altura o calor era terrível. O Marcio jogava água na minha nuca, o que ajudou um pouco a refrescar. Não via a hora de chegar no rio logo. Fizemos uma refrescante travessia de 400m e saímos da água correndo para pegar as bikes.

Nossa, sair da água correndo foi tão difícil, nossas pernas estavam duras e pesadas. Fizemos uma transição mais rápida e saímos para pedalar em 1 o lugar. Seguimos por uma estrada de terra, que logo foi estreitando e virou um caminho de pedras impedalável. Era uma serra sem árvores (cerrado), com muito sol e muitas pedras. A bike tinha que ir nas costas a maior parte do tempo.

O pneu do Caco furou lá no topo do morro, trocamos o mais rápido possível, mas este incidente foi suficiente para que Oskalunga nos alcançasse e um pouco mais adiante, a Atenah também. Nas descidas elas nos alcançavam e nas subidas com as bikes nas costas abríamos um pouco.

Batemos cabeça um pouco para a achar a trilha que nos levaria ao PC, mas o Caco, nosso navegador, foi o primeiro a encontrar o rumo certo, nos levando assim ao PC 4 em primeiro lugar.

Optamos por não fazer o rapel naquele momento já que teríamos um trecho de canoagem com corredeiras e preferimos por faze-lo ao máximo enquanto ainda era dia. (No Ecomotion Pró tivemos uma experiência não tão agradável em corredeiras noturnas, na qual viramos um dos ducks duas vezes, perdemos um remo, etc.). Fizemos um rápido de trekking, correndo por estradinhas e chegamos no rio.

Grande parte dos 25km de canoagem foi à noite mesmo e quase não tinham corredeiras. Aproveitamos para nos alimentar e descansar as pernas. Saímos da água 500m antes do previsto, pois a organização achou melhor não descermos uma seqüência de corredeiras grandes que havia bem no final da canoagem. Nos chamaram para a margem, onde carregamos os ducks e subimos um barranco bem escorregadio. O Caco e o Ale foram primeiro e quando eu estava puxando o segundo duck para o alto, de repente o Ale rolou barranco abaixo, de costas, caindo quase em cima da minha cabeça. Ele bateu as costas, amassou os dedos, me deu o maior susto, mas ficou bem. Na verdade, coitado, nem demos tempo para ele se queixar muito...

Seguimos por uma estradinha, largamos os ducks e tínhamos que achar uma trilha à esquerda. Perdemos um pouco de tempo neste trecho, mas achamos o rumo certo. Subimos bastante um morro e começamos a andar pela crista dele. Chegamos neste ponto mais ou menos às 21h. Andamos bastante, o trekking era longo e difícil, mas estávamos bem.

De repente alguém de nós olhou para trás e viu um monte de lanterninhas se aproximando. Eram 8 no total, ou seja: 2 equipes. Eles estavam chegando... Não acreditei, mas também não me abalei, continuamos seguindo em frente.

Chegamos a nos encontrar as três equipes: Selva, Oskalunga e Atenah, conversamos um pouco e continuamos andando. Muitas vezes era complicado saber por onde atravessar as inúmeras (muitas mesmo) ravinas que cortavam o morro. O Caco parecia o mestre dos magos e sempre acertava o caminho... Ora passávamos por cima, ora por baixo e depois tínhamos que subir tudo de novo... mas o Caco encontrava sempre a melhor opção! Na verdade varamos muito mato, atravessamos muitos rios, quase que escalamos uns paredões enormes, mas quando olhamos para trás novamente,e tínhamos nos distanciado das outras equipes.

Chegamos ao PC7 rezando para que desse tempo de fazermos o rapel antes deles chegarem, já que haviam feito no PC4. O rapel era lindo! Descíamos totalmente por debaixo da água e no final tínhamos que mergulhar o corpo inteiro na água geladinha da madrugada, o que era ruim e ótimo ao mesmo tempo!! Deu um “gás” novo para a equipe. Neste momento o Ale nos disse ter agradecido a Deus pela oportunidade de estar num lugar tão maravilhoso, naquela hora da noite, com uma lua cheia incrível... Realmente foi demais!

Depois do rapel, finalmente nossa caixa de reabastecimento. Graças a Deus eu e o Caco fomos os primeiros a terminar o rapel e fomos indo para a caixa, porque conhecendo o Marcio como conhecemos, sabíamos que quando ele chegasse ninguém mais teria paz. Quando ele chega, não para de gritar “Vamos embora, anda...” Ele realmente chegou pilhado, mas já tinha dado tempo de comer um pãozinho e arrumar minha mochila para o próximo trecho de bike, que foi dureza.

Soubemos mais para frente, por um PC, que optamos por um caminho “insano”. Subimos um morro enorme, sem ter achado trilha nem nada, simplesmente escalando, escorregando e carregando as bikes, com muita dificuldade. Fiquei muito cansada neste momento, fiquei brava, reclamei bastante, depois me controlava um pouquinho e com muito jeitinho pedia para o Marcio me ajudar. Ele largava a bicicleta dele, pegava a minha e levava morro acima. Depois ele iria descer novamente, pegar a dele e subir mais uma vez... As três vezes que ele tentou fazer isso me deu muita dó porque sabia que ele também estava cansado, daí pegava a bike que ele tinha largado e levava para cima também.

Chegamos no topo do morro (ufa!!). O Caco disse que mesmo tendo levado um tempão para subir o morro, tínhamos feito um caminho bem mais curto. Depois disso tudo ficou mais fácil. Pedalamos por estradinhas de terra, fizemos um grande down Hill e chegamos num vale bem verdinho, onde pedalamos, ao amanhecer, em single tracks até chegar no próximo PC, que era numa fazendinha.

Deixamos as bikes lá sem saber quanto tempo tínhamos de vantagem sobre as outras equipes... Ainda bem que estávamos animados, porque tivemos que subir outro morro enorme, dessa vez sem as bikes (viva!!). Ao chegar no topo, começamos a correr. Tínhamos uns 9km de trekking, boa parte pelo topo do morro, que tinha uma vista linda! Era recompensador!! Imprimimos um ritmo forte e corremos o tempo todo até chegar no PC das caixas de novo.

No PC soubemos que estávamos 2 horas e meia na frente e que Oskalunga tinham parado porque um pedal deles tinha quebrado. Neste momento pudemos respirar um pouco mais tranqüilamente, mas só um pouco porque ainda tinha muita prova pela frente e a prova não estava definida.

Fizemos uma rápida transição, encontramos alguns amigos que estavam chegando do trekking das ravinas naquele momento e saímos correndo de volta para o PC da fazendinha. Eram os mesmos 9km que tínhamos corrido há pouco, mas dessa vez, depois de subir o morro, optamos por desce-lo e correr no vale verdinho que tínhamos pedalado ao amanhecer.

Ouvimos uma sirene bem alta, olhamos para cima do morro e vimos o Lucas e os fotógrafos, que estavam nos esperando para tirar uma foto da gente de frente, mas como optamos pelo outro caminho, ficamos sem as fotos tiradas (que pena, eu adoro fotos!!!). Gritamos SSSEEELLLVVVAAA!!! E continuamos a correr.

Chegamos no PC onde tínhamos largado as bikes, conversamos um pouco com o pessoal, tomamos um delicioso suco de uva que alguém nos deu e partimos para o trecho final de bike, lá pelas 10h, que foi bem mais longo e demorado do que eu imaginava.... mas pelo menos era pedalável!

Estava MUITO quente, muito mesmo. Tivemos que ser bem fortes e ter uma força de vontade enorme para que o nosso ritmo não caísse muito. Ainda mais quando descobrimos que tínhamos feito um errinho de navegação, que aumentou o nosso percurso em 15km (aproximadamente 1 hora a mais) em estradinhas de terra cheias de subidas e descidas. Este foi o trecho que mais demorou a passar, parecia interminável...

No trevo de Delfinópolis paramos em um bar para tomar uma coca e um suco de limão geladinho, parecia sonho... continuamos em frente. Encontramos um pessoal de carro, que tinham parado a prova e nos deram a maior força. Cada incentivo neste momento era importantíssimo! Quando estávamos quase no final do pedal furou o pneu do Ale. Consertamos rapidinho e voltamos a pedalar. Eu estava na frente e demorou para perceber que o Marcio não estava vindo. Pensei uma dez vezes antes de decidir se eu ia pedalar de volta e ver o que tinha acontecido ou se ia só esperar. Decidi voltar e vi que o pneu dele também tinha furado e as nossas câmeras reservas não estavam boas... O Caco já estava lá ajudando a remendar a que tinha furado e nesse momento começamos a pensar que esses errinhos e acontecimentos todos podiam fazer com que perdêssemos a liderança. Todos estavam cansados e foi ai que conversamos e decidimos que não íamos nos deixar abater, tudo que estava acontecendo devia ser apenas um teste para ver se a equipe estava mesmo unida e preparada para vender. Decidimos juntos que íamos lutar até o fim. Subimos nas bikes e pedalamos forte até o próximo PC.

Deixamos as bikes para sempre (naquela prova) e saímos para um trekking que eu, como não sou a navegadora e nem tinha visto o mapa, pensava ser apenas uns 6km em estradinha para pegar o duck. Não era nada disso. Tivemos que cruzar um morro por cima, sem ter achado trilha nem nada, mais uma vez varando mato. Só que dessa vez estávamos morrendo de sede e ninguém tinha mais água. O Caco tinha dois goles em uma garrafinha, que dividimos em quatro e nos deu força (mais ou menos) para nos “arrastarmos” morro acima. Foi incrível depois de pouco tempo enroscados no meio do mato enquanto subíamos, conseguimos avistar o céu e logo estávamos no topo do morro. Mais uma vez o Caco deu uma de mestre dos magos!

Encontramos um riozinho logo mais adiante. O Ale se jogou inteiro na água e todos nós bebemos muita água geladinha. Tinha um cachorrinho branco bem pequenininho nos acompanhando desde o último PC. Ninguém fez carinho ou deu comida, mas ele pareceu se afeiçoar com a equipe e resolveu nos seguir. Comecei a ficar preocupada porque a esta altura, ele estava bem longe de casa.

Andamos mais um pouco por cima do morro, tivemos que atravessar mais um morrinho, mas agora já estávamos quase com o pé no trecho final da prova, o que nos dava ânimo novo. (Com exceção do Marcio que estava com uma assadura gigante e tinha que andar com as pernas afastadas )

Descemos o morrão por uma caminho cheio de plantas que espetavam e muitas pedras que eram ótimas para as bolhas... mas no final tudo é festa!

Chegamos em uma estrada de terra na qual tínhamos que percorrer apenas uns 10 minutinhos para chegar no penúltimo PC. Foi neste momento, que pela primeira vez na prova a equipe de fotógrafos e cinegrafistas nos encontrou! Finalmente, né?! Afinal estávamos liderando a prova e não tínhamos visto um fotógrafo o dia todo!! Depois nos contaram que tentaram nos encontrar o dia todo, mas sempre chegavam nos pontos e nós já havíamos passado.

Depois de muitas fotos tiradas, entrevistas dadas, o Marcio fingindo que estava tudo bem e continuando a correr com as pernas abertas, chegamos na canoagem!! Pegamos os ducks e jogamos de cima de uma ponte e depois pulamos na água. Eu fiz um “quase salto ornamental” que o Ale achou lindo!!!! O Marcio saiu da água e olhou para mim com cara de desespero, na hora achei que tinha acontecido algo muito sério, só depois dele ter recuperado o fôlego é que conseguiu dizer que o problema era a assadura, que estava ardendo muito!!!

Subimos nos ducks, posamos para mais alguma fotos e remamos rumo à chegada. Trecho final, estávamos próximos a chegada... não era bem assim. O trecho final levou 6 horas remando nas águas calmas da noite, o que nos deu um baita sono!! Principalmente no Marcio (que não conseguia falar e nem abrir os olhos) e no Ale. Engraçado, os dois eram os que estavam fazendo leme, então quase não atrapalhava!!!!!.

Resolvemos parar 5 minutos a cada 1 hora para comer um pouquinho. Eu era a única que comia, os outros aproveitavam para dormir. Foi um sufoco... tive que ficar fazendo uma sessão de terapia com o Marcio para mostrar que tudo era uma questão de auto-controle. Que ele tinha que querer ficar acordado e fazer muita força para isso. Não adiantou muito...

O Caco dava as coordenadas, como sempre e para nós que não estávamos vendo o mapa, parecia que ele estava fazendo um enorme zigue zague pela represa. Mas não estava, fizemos exatamente o menor caminho possível, seguindo sempre em linhas retas. Optamos por não fazer portagem... na verdade nem pensamos na possibilidade já que treinamos bastante canoagem e gostamos de remar. Soubemos depois que essa portagem diminuiria a remada em mais de 10km.

Continuamos olhando para trás toda hora para ver se víamos luzinhas vindo (que significaria equipe se aproximando). Nunca sabíamos ao certo quanto tempo tínhamos de vantagem... até que nos momentos finais, há uns 2,5km da chegada e avistei claramente umas luzes e vi, quase que com certeza, botes chegando.

Gritei para os meninos e disse que tínhamos que dar o nosso máximo se não quiséssemos perder a prova nos últimos minutinhos do segundo tempo. Remamos igual uns loucos até quase o final, quando olhei para trás novamente e vi que as luzes e os botes haviam desaparecido... Acho que foi apenas impressão minha... ou alucinação.

Finalmente, à 1h25min da madrugada cruzamos a linha da chegada. Foi estranho, estávamos muito felizes e aliviados, mas ao mesmo tempo tímidos com as pessoas que estavam lá, com luzes fortes em nossa cara... Perguntei para um fotógrafo se tínhamos mesmo chegado em 1 o lugar e ele confirmou que sim.

Graças a Deus e à nossa união, determinação e vontade de vencer, a prova havia terminado para nós, com o final mais feliz possível. Pagamos as nossas 20 flexões, como de costume e fomos para o hotel dormir.

Agradecemos do fundo do coração a todos que tornaram essa vitória possível:

Aos alunos, amigos e parentes que torceram e torcem pela gente sempre.

Isso nos dá mais forças para continuar lutando sempre!!

Ao nosso mais novo patrocinador: NSK Rolamentos, que acreditou em nós e nos deu a chance de mostrar que somos capazes!!

À Kailash que nos apóia com roupas e equipamentos, à Pedal Power que nos apóia com a revisão das bikes e descontos em peças, à Integralmédica que foi a primeira a acreditar em nós e fornece todos os suplementos necessários para os treinos e provas, à Empório Aventura que apóia o nosso treinamento e para a Serfas, que é o mais novo parceiro e nos apóia com equipamentos de bike.

SEM VOCÊS ESSA VITORIA NÃO SERIA POSSIVEL!

OBRIGADA E PARABÉNS PARA VOCÊS TAMBÉM!!

 

Agradecemos nossos parceiros que nos honram, acreditando em nossos sonhos e ideais...
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