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Tabela de tempos
Relatos
Equipe Body Imports Adventure

Integrantes

  • Karina Bruning de Oliveira (São José dos Pinhais - PR)
  • Carlos Wilson Bruning de Oliveira (São José dos Pinhais - PR)
  • Adilson Luis de Lara (Curitiba - PR)
  • Felipe Esdras (São Paulo - SP)

Na quinta-feira, véspera da nossa saída para Delfinópolis, nossos amigos passaram em minha casa para arrumarmos o que faltava. Conseguimos faróis para bike, ATC`s e outras coisas que buscamos com um ou com outro conhecido.... Depois de toda bagunça, a Besta estava carregada (esta é a Besta do meu irmão nosso navegador Carlos....quer dizer o nosso meio de transporte).

Saímos de Curitiba às 7:00 horas em direção à Campinas para encontrarmos o nosso quarto integrante o Felipe; quer dizer, o quinto pois conosco já estava nosso grande amigo Mano (apelido). Antes de encontramos o Felipe, aconteceu um pequeno problema que nos deixou em Jundiaí por algumas horas. Fundiu o motor (sei lá a tal da biela) da Besta. Ligamos para o pessoal da assistência da Rodovia e após uma hora de espera a beira da estrada chegou o reboque. Lá fomos nós para o Posto mais próximo. Logo depois o Felipe chegou com seu irmão que levou 3 de nós para uma locadora de carros em Campinas.

Precisaríamos de 2 carros pois estávamos com 4 bikes e todo nosso equipamento. Ligamos para a lista de Campinas inteira até conseguirmos o menor preço, mas chegando lá teríamos que ter um cartão de crédito com o limite de pelo menos R$ 2.400. Nada feito!!! Escolhemos uma outra opção que era viável, e depois de mais uma e hora e meia tudo resolvido,Era só entrar nos carros! Mas antes não poderia deixar de citar cada detalhe que foi dito a respeito dos carros pelo atendente da locadora, teríamos que devolver os carros em perfeito estado e lá foi ele citando cada item do automóvel: lataria retinha, pára-choque sem arranhados, calotinha descascadinha e pneu sem bolhas....Bom, após ele ter nos passado todas as precauções, seguimos para o posto buscar o Carlos que havia levado a Besta até a oficina, e o Adilson que estava cuidando de todo o nosso equipamento espalhado no chão, quer dizer dormindo no colchão.

Enfim seguíamos para Delfinópolis com somente mais uma parada comer pizza. Chegando em Cássia fizemos a travessia da Balsa, e logo já estávamos na Pousada do Sr. Neto que por sinal nos atendeu super bem. Fomos dormir depois das 2 da manhã.

Acordamos cedo para tomar um café. O mapa estava sendo entregue à partir das 8:00 horas no Ginásio da cidade. Com os documentos da corrida em mãos, eu o Mano e o Felipe fomos buscá-lo, e ali começava toda aquele check de prova que todos nós corredores de corrida de Aventura já estamos acostumados: exame médico, conferir equipamentos, bikes, projeto social, projeto ecológico, levar a bike no PC, ajeitar mochilas, etc... Enquanto isso nosso navegador plotava os mapas e desenha todo o nosso trajeto, quer dizer o nosso possível trajeto....

Meio dia e meia nós fizemos miojo com ovo cozido para cada um, e corremos para a largada onde às 13:00 horas começaria o briefing. Não sabíamos que poderia deixar as mochilas no PC3 antes da largada, isso permitiria fazermos a natação mais tranqüilos. O Adilson correu para levá-las e logo após nos posicionamos para a tão espera corneta do Lucas tocar!!!!

Lá fomos nós em Treking para o PC 1, todos embolados. Corremos um pedaço, mas o restante até chegar na travessia da natação, fomos andando rápido. PC 2 assinado, nos jogamos na água em direção ao PC 3 na Igreja da cidade, onde estavam nossas bikes e mochilas. Tenho que admitir que meu forte não é nadar, vim a maior parte de costas até que o Carlos e o Adilson me ajudaram a atravessar.

Chegando no PC 3, mochilas nas costas, líquido para dentro e pernas para que te quero.... Pedalamos até entrar em uma trilha pelas montanhas, aliás que montanhas.... Ali foram muitas horas carregando bike. Sem noção, não me lembro de rer ficado mais de meia hora sentada nela. Só empurrando ou carregando. Neste trecho quase todas as equipes se perderam. Pegamos um atalho que nos levou certinho na direção do PC 4, mas com um probleminha, saímos em cima da montanha e lá em baixo avistávamos o PC. Sem poder ir até lá, pois além de uma altura gigantesca tinha um vale com rasga mato, fomos seguindo montanha acima para outra direção e a bike junto (nas costas). Enfim encontramos um caminho e descemos por ele. Lá estávamos nós no PC4 em sétimo lugar. Que alívio, não estávamos tão mal assim! Foram quase 6 horas para encontrar este PC. Corremos para colocar o equipamento de rapel e entramos na trilha. Chegamos em uma cachoeira linda demais, mas o meu medo foi maior. Por um instante, amarrada naquela corda, no escuro, achei que não conseguiria. Após muito medo, choro e gritos de incentivo dos meus amigos, desci!

Corremos para tirar o equipamento no PC, beber e comer algo tinha que ser andando mesmo. Seguimos em Treking até o PC 5 onde começaríamos a remar, neste trecho a navegação não estava tão complicada. Embolados com outras 4 equipes entramos na água. Esta parte de remo foram uns 20 km. O rio ajudou em alguns trechos com algumas correntes leves. A equipe Tatus nos passou nessa etapa. Até o PC6 foram umas 3 horas.

Tiramos o Duck da água e seguir alguns metros pela estrada até o PC. Felizes por ainda estarmos em sétimo, assinamos o PC6 às 1:10 horas de domingo. Ali começava o nosso maior treking na competição, quero dizer o maior das nossas vidas mesmo....

Mapa nas mãos e começava a navegação montanha acima. O lugar era simplesmente lindo demais! Era noite de lua cheia, e isso nos ajudou bastante. Fomos num sobe e desce de montanhas louco. Sempre passando por grotas e pulando até chegarmos em um rio. Na verdade Carlos comentou que teríamos que seguir por dentro dele até achar o outro rio onde este desembocaria. Assim fomos, muitas pedras, mato e buracos. Chegamos em uma parte que só era possível passar com cordas. Tenho que registrar que foi a primeira vez que minha equipe usou esta corda de 20 mts do equipamento obrigatório. Saindo do rio, mais um vara mato chegando em outra montanha, e assim avistávamos algumas outras montanhas mais distantes em nossa frente. A impressão era de elas estavam unidas (grudadas mesmo). Neste instante o Adilson fez o comentário de que o mapa ainda dava indicação de estarmos certos: “vamos seguir então”.

Havia muito mato, pedras e um tipo de planta que nunca havia visto antes. Não podíamos nos segurar nelas para nos apoiarmos pois elas pareciam estar queimadas. Passamos por muitas aranhas, e mais vara mato. Ali comecei a questionar se o Lucas seria tão louco de nos trazer até aquele lugar sem trilha alguma, quer dizer havia algumas, que por alguns instantes gritávamos de alegria: “Achamos, achamos a trilha”. Seguíamos por ela, mas não por muito tempo, logo acabava. Seguimos todos bem próximos até chegarmos em uma vegetação de cactos e pedras, onde nos ajeitamos para que o Felipe e o Adilson a analisassem o mapa. Enquanto isso o Carlos ainda insistia naquele vara mato mais a frente. Após muita analise, chamei o Carlos para que o Felipe e o Adilson mostrassem, que não tínhamos outra saída além de retornar. Puts....5:30 horas, o sol quase nascendo e estávamos no lugar errado.... Resolvemos retornar para o PC 6 sem descansarmos pois não queríamos ser cortados no PC 8. Cabeças baixas, assim seguimos um ritmo constante até a estrada, agora sem tanto mato e com o dia nascendo ficou mais fácil.

Cheguei ao PC 6 e lá estava o Togumi, falei com ele que após está perdida fenomenal, continuaríamos a corrida em direção ao PC 7, mas agora na trilha certa. Mal sabíamos que seriam mais 6 horas de treking. Também não tenho palavras para descrever este local, muito lindo. Neste trecho a navegação ficou com o Adilson. Cruzamos mais de 10 rios e vales, onde por muitas vezes tínhamos que procurar por onde passar. Cachoeiras maravilhosas para onde se olhava montanhas, mas a beleza não foi aproveitada ao seu máximo. Além de estarmos cansados, as dores já começavam a incomodar. Por termos andado muito tempo molhados, surgiram assaduras em mim e no Felipe, que já andava de pernas abertas há tempos. E para “ajudar”, as bolhas nos pés já incomodavam bastante também. Tenho que dizer que a tal hipoglós do Adilson nos salvou! A cada instante uma paradinha por causa das assaduras. O Felipe foi até o limite com as dores mas não teve outra alternativa, a não ser passar o canivete em sua cueca (viu?! Os equipamentos sempre devem nos acompanhar, sem eles teria que ser nos dentes).

O calor estava de torrar, cada rio mais água na garrafinha. E assim seguimos por horas.... Pernas abertas, suor escorrendo e bolhas nos pés. Faltando mais 4km de montanhas, não agüentei mais ficar com o tênis. Paramos em um rio para descansar e lavar os pés. Dali em diante eu segui de meias, meu tênis absorve a água e não entrou mais em meu pé. No caminho já conversávamos de como seria nossa estratégia: como já sabíamos que seríamos cortados no PC 8, iríamos direto para o PC 12. Meus companheiros estavam querendo me convencer que talvez não valesse a pena continuarmos daquele jeito e naquele calor, mas eu nunca desisti em uma Corrida de Aventura, e ainda depois de tudo isso?!

Enfim PC!!!!, Após 11 horas de caminhada em montanhas! Neste PC 7 muitas equipes haviam desistido, uns dormiam, outros bebiam, comiam ou jogavam. Olhei para eles e tive mais certeza ainda que deveríamos continuar, procurei mais esparadrapo emprestado para os pés do Felipe e meu. Vaselina pelo corpo todo.

Eles estavam decidindo se continuariam, mas enquanto isso eu já ajeitava as mochilas com comida e bebida para todos. Eu queria muito ir. O Lucas decidiu dar uma forcinha na turma e ajudou a dar uma injeção de animo mandando se levantar. Pegou o mapa e mostrou que já não havia mais tanto empurrava bike, um dos principais motivos do desânimo junto aquele sol rachando o coco. Aapós alguns minutos, todos em pé, e lá vamos nós, em direção à montanha novamente!

Neste trecho até o PC 8, estávamos em décimo terceiro na classificação geral, mas só tinha 13 equipes, todas as outras equipes já haviam desistido. Foi mais um lugar daqueles de se surpreender!!! Lindo!!! Em alguns trechos carregamos as bikes. O Adilson chegava a cantar em cima de sua bike para não dormir. Em certo momento pediu para pararmos e tomarmos algo para acordar. Quando começamos a desanimar eu grito “AVENTURA JOSÉ!!!” (José é nosso companheiro de equipe e eu sempre uso este grito de guerra pois acredito que nos dá sorte).

Em cima da Serra avistamos o PC 8, era só descer. Bike nos braços, e trilha íngreme para se equilibrar. Neste trecho passei em um local de vespas e elas começaram a me atacar. O Felipe gritava para soltar a bike e correr, mas corria com a bike mesmo, levei duas picadas daquelas. Chegando no PC 8, mais equipes desistentes. A equipe do Paraguai também estava com muitas bolhas.

Ali recebemos o corte e seguimos direto para o PC 12, que seria o segundo corte das equipes que estavam corretas. Este trecho de bike foi o mais plano de todos quer dizer, até chegarmos em um Dowhill animal! Nossa que descida!!! Depois que começou não parava mais. Lembro-me dos meninos terem comentado, “Nossa, se tivéssemos desistido teríamos perdido a emoção desta descida”.

Depois de assinarmos o PC 12, o próximo destino seria o PC 13, virtual. Neste caminho fomos conversando e analisando qual seria a melhor estratégia, sendo que ainda teríamos que buscar o PC 14, mais um treking até o PC 15, para só então irmos até o PC 16 e iniciarmos o remo. UFA!!!!

Conversamos muito, e definimos a tática. Enquanto o Felipe tirava o bicho que entrou em seu olho, foi concluído que era melhor irmos direto para o remo. Só assim poderíamos completar a prova, pois os nossos tempos já estavam curtos para buscar o PC e ainda fazer o remo. Confesso que me apertou o coração um pouco, pois queria fazer todos os PC’s restante, mas sentamos na bike fomos em direção ao mais sensato.

Somente a equipe Selva estava na água. Nos ajeitamos, colocamos os ducks na represa às 20:15, e ali começou nossa dura jornada e luta contra o sono. Remamos alguns minutos em direção a uma luz que estava a muitos Kms dali, mas com aquele silêncio e o cansaço pegando ninguém conseguia mais ficar com os olhos abertos. Já estávamos tendo alucinações, víamos coisas que não existiam. O Felipe chegou a ver uma Kombi andando na represa, o Carlos viu uma árvore de garrafinha Pet, eu avistei umas árvores gigantescas que imaginei ser uns bonecos de parque de diversões. Era tudo muito estranho. Resolvemos amarrar os Ducks e dormirmos por 20 min. pedi para que o Felipe colocasse seu relógio para tocar.

Somente eu e o Adilson conseguimos acordar, eles até tentaram mas não teve jeito. O Adilson amarrou os ducks novamente e remamos, puxando os dois dorminhocos. Nos aproximamos da margem e retornamos um pedaço até próximo de uma luz. Ali me segurei no mato enquanto Adilson descia para verificar a possível passagem para o outro lado, mas a chuva chegou forte. Ela veio muito forte mesmo!!! Acordei o Carlos e o Felipe que incrivelmente conseguiram dormir no duck, com chuva. O Carlos desceu para procurar o Adilson que logo apareceu na outra margem, sacudindo os braços. Neste instante não podíamos parar de remar, estava muito frio. Com a informação que Adilson havia recebido de um morador local, seguimos para achar o tal portage. Mas remamos, remamos, remamos, e nada avistávamos. Quer dizer, muita coisa louca a gente viu!

A chuva ainda estava forte, mas logo vimos a tal ilhota que desde do principio era nossa referência, mas não contávamos que poderia estar sem passagem. Pulamos por ali mesmo. Neste instante o Adilson joga o mapa no chão de nervoso. Lembro-me quando desci do duck as dores que senti na virilha que estava toda assada, assim como a do Felipe.

Dentro d’água novamente em direção ao portage verdadeiro. Nos aproximamos dele e vimos que era um mato ruim de passar. Mesmo assim descemos por ali e atravessamos carregando os ducks até a outra margem da represa. Que lugar mais lindo, começamos a remar em direção a linha de chegada. Isto significava muitas horas de remo!!! Os pontos de referências pareciam próximos mas não chegavam nunca. Este trecho foi o que eu mais senti sono. Por muitas vezes remávamos no ar!!! 04:XX horas da manhã de segunda-feira, estávamos próximos do PC final quando avistamos a balsa.

Começou a discussão onde seria a chegada. Sabíamos o nome da Pousada, mas não conseguíamos encontrá-la de jeito nenhum. Foram duas horas ali, ao lado, sem conseguir chegar. Até que resolvemos parar em terra perto da balsa, e sair para pedir informações. Neste instante eu perdi a paciência. Xinguei muito, de raiva, e desci a procura de algo, até que um morador nos indicou: “sigam a roça de milharal, contornem que logo vocês avistarão”. E não deu outra, após 10 horas remando chegamos ao final desta aventura, com 40 horas e 15 minutos de prova.

A emoção foi grande de ter atravessado a linha de chegada, mas estávamos tão exaltados e irritados com tudo aquilo de não achar o PC que estava ao nosso lado, que mal sorrimos com os parabéns que recebemos do pessoal da organização!

Depois de tudo isso, ainda conseguimos o merecido quinto lugar. Digo merecido pois se eu descrever todo o tumulto e confusão que passamos no nosso caminho de retorno, dá mais uma Corrida de Aventura de 12 horas. Até um guatizinho foi atropelado!

Só tenho a dizer que foi uma corrida linda, em um lugar maravilhoso, super organizada, e que se não fosse os nossos erros, poderíamos ter curtido muito mais. Assim fica a prova de nossa resistência e capacidade de brigar pelo que queremos. Em um momento do remo que alguém desanimou, eu disse com raiva e até peço perdão: “mas se não atravessar aquela linha de chegada não me chamo Karina Bruning de Oliveira!”

Agradeço de coração ao nosso companheiro e amigo Mano, que nos acompanhou nesta aventura e que se preocupou o tempo inteiro se chegaríamos nos PCs, nos ajudou em toda nossa logística e apoio moral, além de ter nos quebrado um galhão (como meu irmão disse uma árvore inteira), aos nossos integrantes da nossa equipe, Paulinho e José que por motivos de saúde não puderam participar desta aventura, mas estavam o tempo inteiro com a gente no coração, ao Laércio e ao Clodoaldo da Paranaventura que nos emprestaram os equipamentos para o Rapel, ao nosso amigo Tigre pelo super farol para bike e a Academia Corpo Expressão pelas aulas de musculação. Enfim a todos aqueles amigos que sempre torcem por nós.

Trazemos mais um aprendizado: “A persistência e a desistência andam muito próximas, nosso objetivo e determinação precisa ser sempre maior. Obstáculos sempre teremos, mas todos com uma saída. Não são as explicações que nos levam para frente; é nossa vontade de seguir adiante.”

Muito obrigada Senhor por mais esta Aventura!!!

Karina Bruning de Oliveira
Body Imports Adventure

 

Agradecemos nossos parceiros que nos honram, acreditando em nossos sonhos e ideais...
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