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Equipe Endorfina

Estávamos muito empolgados para essa prova pois iríamos ter a companhia da Adriana Nascimento (super campeã de Mountain biking) em nossa equipe. Mesmo ela não estando no melhor de sua forma sabíamos que seu espírito vencedor iria nos influenciar.

Os outros membros da equipe eram: José Luiz (eu, capitão e navegador), o Roca (bom de leme e exímio nadador), e o Ivan (ótimo ciclista) que entrou no lugar do Fernando que foi acometido de pneumonia há duas semanas da prova.

A largada da corrida aconteceu às 14h de MTB. Achei que iríamos arrasar nessa etapa mas para minha surpresa todo mundo largou muito rápido e tivemos que pedalar muito para chegar nos Ducks em 5º lugar. Em algumas subidas o calor era tão forte e mesmo assim os corredores pedalavam que nem uns loucos, pensei comigo, muita gente vai quebrar nessa prova...

Remo não é nosso forte, muito menos da Adriana, mas mesmo assim fomos bem e terminamos essa etapa em 8º. O rio estava rápido e em menos de 2 horas começamos o trecking.

Resolvemos correr para tentar alcançar os ponteiros e deu certo, a trilha batia no rio e virava à direita mas não tinha saída. Quando chegamos no rio as equipes da frente estavam voltando e tivemos o prazer de entrar no rio em 1º. Não durou muito pois tínhamos que nadar contra uma correnteza muito forte e na ansiedade de escaparmos do rio fomos para a margem e entramos numa trilha falsa e em poucos minutos estávamos totalmente sozinhos no meio do mangue com direito a cobra e formigas. Sem desespero e conformado de estarmos fora da trilha tracei o Azimute e seguimos varando o mato até escutarmos vozes. Era a equipe 4extreme que havia perdido o mapa depois de uma ataque de abelhas! Não demorou muito para acharmos a trilha e fomos para o PC 6 juntos achando que estávamos na rabeira da competição, mas para nossa surpresa chegamos em 6º há 27 minutos do primeiro, naquele ponto a Xavantes do Rio. Lá foi muito engraçado pois era um vai e vem de equipes procurando a trilha e ninguém achava, até que o Lucas foi mostrar pra gente onde estava e nem ele achou. A trilha estava debaixo d'água.

Já era noite e decidiu-se atravessar o rio a nado e andar até o PC2 (12km) onde encontraríamos as bikes e a primeira caixa de apoio. Adoramos a mudança pois aumentaria a parte de bike em 30 km, teoricamente nosso forte.

Por volta das 4 da manhã tivemos a relargada, que seria uns 30 km de asfalto, um planão até a subida da Serra para então entrar num labirinto de sobes e desces em meio a um grande bananal, uns 50 km de terra. A Adriana me perguntou se iríamos na boa ou socaríamos. Eu respondi: - Vamos socar, é claro!

E socamos, saímos em pelotão e uma a uma as equipes foram ficando até que estávamos sozinhos. Que sensação gostosa! Mas não durou muito, na subida da Serra o Roca cansou e fomos ultrapassados por 3 ou 4 equipes. Equipes que iríamos cruzar muitas vezes no decorrer da corrida.

A navegação da MTB foi realmente muito difícil, cada errada valia uma parede de volta à bifurcação e assim fomos, amanheceu, o sol ficou forte e chegamos no PC 8 bem cansados, em 4º lugar próximos dos 2º e 3º, mas já há 1 hora da Paranaventura que estava em 1º. Nesse ponto a Adriana deu uma lição de raça pra gente. Ela havia sido mordida por algum inseto durante a bike e desenvolveu um reação alérgica muito importante, eu que sou médico fiquei assustado. Seus braço e perna esquerdas incharam muito, seu corpo ficou cheio de pápulas (reação de urticária) e ela mal conseguia abrir os olhos tamanho inchaço ao redor dos olhos e da boca. Ela sentia uns calafrios e se coçava toda. Ela me disse: - Zé, estou me sentindo muito mal. Perguntei se estava difícil para respirar e ela disse que não. Dei dois comprimidos de anti-histamínico para ela e pensei, ela vai desistir! Mas para minha surpresa, ela arrumou suas coisas e me perguntou: - Quanto tempo demora para fazer efeito o remédio? - Meia hora. Respondi. – Então vamos, estou pronta!

Fomos, mas se ela não melhorasse em meia hora eu não deixaria ela continuar pois entraríamos na mata e ficaríamos muito longe de qualquer ajuda. Para piorar estava um sol de rachar, uns 40 graus e muito úmido. Subimos 350 metros de altitude para alcançar o PC 9 virtual, forcei bastante o ritmo e passamos para 2º lugar. A Adriana melhorou e entramos na mata confiantes, cruzamos um rio bem agradável e subimos uma trilha que batia com o mapa e achamos que estávamos certos até que a trilha acabou numa moita muito alta. Voltamos e logo estávamos em 3 ou 4 equipes procurando a trilha. Estava muito cansado e resolvi voltar para o rio e descansar um pouco para raciocinar melhor. Paramos no rio, o Roca e o Ivan tiraram um cochilo e eu e a Adriana ficamos cuidando dos pés (cheio de bolhas) quando ela me perguntou se não podíamos dar a volta pela estrada e encontrar o PC 10 ao contrário. Estávamos sem o RACE book e nem imaginei que era proibido, achei a idéia fantástica, mesmo sabendo que iríamos enfrentar o sol forte do meio dia e que iríamos descer e subir tudo de novo. Decidi que valia o risco. Saímos para o trecking super curiosos para saber em que posição chegaríamos no PC 10 que era o início do canyoning, a parte mais linda e agradável da prova.

Que surpresa, chegamos em 1º. Isso mais o fato da água estar na temperatura ideal e o lugar ser absolutamente lindo, acabou com o nosso cansaço, mal começamos a descer e vimos a Paranaventura chegando, aumentamos o ritmo e descemos super rápidos o Canyon. Chegamos no PC 11 às 17 horas em 1º. Continuamos super animados. A próxima etapa seria um trecking até os Ducks onde teoricamente a única dificuldade seria achar o início da trilha. Daí pesou o cansaço, a falta de sono e a pressão de estar em 1º. Me confundi com o cálculo da distância e peguei a trilha errada, um lamaçal onde xingamos o Lucas até desconfiar que estávamos errados e voltarmos tudo. Essa trilha foi o lugar mais louco da corrida, eu estava com muito sono e arrasado psicologicamente por ter errado, felizmente o Ivan assumiu como líder e foi na frente. Eu dormia andando, acordava com os tropeços e sonhando, olhava em volta e alucinava absurdamente. Havia árvores incrivelmente altas e me senti como se estivesse numa floresta de Elfos.

Finalmente chegamos aos Ducks, por volta da meia noite, surpresos e felizes por estarmos ainda em 2º lugar há 1 hora do 1º. Enchemos os Ducks e fomos para o rio. Seriam uns 45minutos até o rio das Pedras e depois umas boas horas até o próximo PC. Achamos que o mato descrito pelo Lucas e indicado no mapa estaria nesse riozinho antes do Rio das Pedras e que o mesmo seria um rio largo onde poderíamos remar tranqüilamente. Doce ilusão! Era um matagal onde passávamos com os Ducks em espaços apertados cheio de espinhos, aranhas e mutucas. Remamos umas 3 horas, meio dormindo meio acordados, hora sonhando, hora alucinando até que eu me dei conta que havia passado muito tempo. Olhei dos lados e vi a sombra de umas montanhas, chequei o Azimute, olhei no mapa e me desesperei. Não havia montanhas no mapa e estávamos indo oeste quando deveríamos seguir sul. E agora? Será que tinha uma bifurcação lá trás? Estávamos num labirinto? Primeiro checamos a correnteza e continuávamos a descer o rio. Então fiquei olhando em volta encafifado com aquelas montanhas quanto bateu a razão: - É óbvio, não são montanhas, são árvores e estão acompanhando o rio, mas e a direção? Daí virou o Roca e falou. – E se esse rio já for o Rio das Pedras! Pronto, matada a charada, era o Rio das Pedras, que só viria a abrir e se tornar um rio largo e gostoso de remar bem mais a frente.

Finalmente amanheceu e aí acabou o sono, voltou o ânimo e remamos alegres, o rio de águas escuras era um verdadeiro espelho d'água e as próximas etapas foram bem fáceis, um trecking leve até as bikes e um último pedaço de asfalto sem subidas até a chegada às 11:15h..

Terminar uma prova dessas é um grande feito, uma sensação de poder e de grandeza, terminar em 2º enfrentando equipes de ponta de várias partes do Brasil, algumas profissionais, é absolutamente indescritível.

Agradeço ao Lucas a oportunidade de conhecer esse pedaço de Brasil intocado e nos proporcionar essa aventura maravilhosa e a Adriana por ter nos mostrado um pouco da força que existe em um campeão!

 

Agradecemos nossos parceiros que nos honram, acreditando em nossos sonhos e ideais...
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