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Tabela de tempos
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Equipe Lobo Guará/SETEC

Seguimos de Brasília para São Paulo e lá chegando, encontramos a Van que havia sido contratada para nos levar a Juquiá, a viagem foi tranqüila, descansamos e conversamos mais um pouco e logo estávamos em Juquiá, por volta de 10h30 do dia 18/07. Chegando lá procuramos a organização e nos alojamos na Pousada Beira Rio, onde, por coincidência também estava a Equipe Oskalunga, nossos velhos conhecidos de Brasília. Confraternizamos, trocamos algumas idéias com eles e fomos preparar os equipamentos para a corrida. O Marco nos encontrou na Pousada por volta de 14h. O dono da Pousada, Sr. Edemir foi muito simpático e os organizadores da corrida também.

Foram chegando mais equipes e o clima estava muito bom entre todas, foi legal conhecer tantas equipes ao mesmo tempo, já que era a primeira vez que participávamos de uma corrida de aventura em São Paulo.

Na noite de sexta procuramos dormir cedo, já contando que não dormiríamos na noite seguinte, mas o Flávio terminou de arrumar as coisas dele só por volta de 23h, enquanto nós outros terminamos tudo antes de 17h deixando bikes montadas, roupas serparadas e equipamentos prontos... normal! :o)

No sábado pela manhã rumamos para a largada, que seria no Centro Olímpico e que foi dada pontualmente às 10h. Êta organização!

Começa a corrida:

A largada foi do tipo Le Mans, as bicicletas ficaram em determinado ponto do Centro Olímpico e os atletas foram para outro lugar, o campo de futebol, de onde largamos separados em duplas, correndo cerca de 100m passamos pelo portal e pegamos as bikes.

Na saída de pedal houve uma pequena confusão, mas aos poucos foram se formando os blocos e foi possível fazer ultrapassagens. Nossa tática era de nos mantermos no pelotão da frente, e assim fomos fazendo ultrapassagens até estarmos em segundo, logo atrás dos Oskalunga, por uns 7 Km. Conseguimos aumentar a distância, mas não muito, em uma bifurcação, quando paramos para navegar e Oskalungas para pedir alguma informação local, todo o primeiro pelotão nos alcançou, estava ficando divertido!

Nesse momento, por uma informação errada seguimos, todos desse primeiro pelotão, para o lado errado na bifurcação, que levava, por azar, para uma estrada que ficaria paralela a correta. Na pressa em acertar, próximo a uma casinha abandonada, decidimos seguir uma trilha que entrava pela Mata Atlântica, e estava na direção da indicada no mapa, só que estávamos deslocados para a esquerda da trilha verdadeira. Percorremos a distância calculada da trilha, esperando encontrar uma estradinha de terra novamente, como não chegava e por algumas referências de rios vimos que estávamos errados, voltamos, e no meio daquela mata toda, sem referência alguma de relevo começamos a ficar com medo de estarmos perdidos e termos que passar a noite na mata, enfiamos pernas e bikes em muita lama, carregamos e para nosso alívio achamos o caminho de volta. Saindo da mata retornamos então para a bifurcação inicial, onde havíamos pego a informação errada, e de lá seguimos agora o caminho correto, confirmado por alguns moradores locais. Mas para nosso desânimo (temporário, é claro!) o câmbio traseiro do Paulo, um XTR, quebrou completamente, entortando todo. As reações foram as seguintes, Paulo jogou a bicicleta no mato e sentou chorando, o Flávio e o Marco correram para ver o estrago e a possibilidade de arrumar, e eu perguntei, e aí vamos continuar só em 3? Reações seguintes, Paulo xingando, Flávio tentando arrumar a corrente em uma posição fixa, com a idéia de seguir puxando o Paulo, o Marco olhando e eu chorando. Um caseiro da região se aproximou da gente, com uma espingarda, mas logo que viu que estávamos competindo nos levou para a casa dele, nos emprestou uma caixa de ferramentas e ficou nos incentivando e batendo-papo. A esposa dele foi super gentil e insistiu em nos preparar comida e café, com isso tudo nosso ânimo voltou rapidinho e por volta de 21h30, não lembro mais, estávamos prontos a seguir. Com certeza deixamos naquela estradinha pessoas muito especiais, quem sabe um dia voltamos para conversar com eles.

Seguimos pedalando, a bike do Paulo com a corrente colocada em uma posição média fixa, porém a cada vez que surgia qualquer aclive e ele forçava um pouquinho, a corrente caía, então foi preciso que o Flávio o empurrasse até o AT1 onde deixaríamos as bicicletas.

Chegamos no AT1, e como éramos a última equipe e já era muito tarde, por volta de 23h, nos fizeram seguir pelo asfalto até o próximo PC/AT, e lá houve o dilema, desistir ou continuar. Afinal estávamos muito atrasados. Porém desistir não era uma questão a considerarmos, se a organização permitisse seguiríamos até onde fosse possível. No AT2 caímos num horário limite dado pela organização, que nos orientou para seguirmos direto para o PC8. Neste AT já encontramos algumas equipes desistentes. Bom, pelo menos ainda estávamos na corrida, e isso nos deu um novo ânimo. Seguimos num trekking rápido para o PC8, estávamos animados, conversando bastante e tirando lições do que já havíamos passado. No caminho encontramos uma equipe meio perdida, que nos pediu uma informação quanto a nossa atual localização, informamos e seguimos, mas eles ficaram para trás e não os vimos mais. Chegamos ao PC8 por volta de 4h30 e de lá seguimos logo para o PC9, até então estava tudo bem comigo, mas não sei em que momento exatamente, comecei a sentir um frio intenso, pensei em colocar o colete salva-vidas, mas fui demovida da idéia pelo Marco, até o ponto em que eu não conseguia mais manter o mesmo ritmo no trekking, e nem mesmo andar em linha reta, segundo eles disseram. Não estava mais nem aí para o mapa ou qualquer coisa, e em vez de continuar me movimentando, cometi o erro, não sei porque, de parar e sentar, enquanto o resto da equipe procurava a entrada da trilha para subir o morro em direção ao PC 9, que era do rapel. Quando eles encontraram uma trilha no morro, fui atrás e nesse momento decidi que colocaria o colete, foi o que me reanimou novamente. Logo que senti as costas quentes tive a sensação como se o sangue voltasse a circular e já estava pronta novamente para subir aquela montanha. Entre a mata achamos vários vestígios de passagem das equipes, mas nada de encontrar um caminho certo para o topo, nisso também encontramos várias outras equipes perdidas no meio daquela mata e ouvimos, de um componente de outra equipe, uma frase esquisita na hora, mas engraçada depois: "Eh temos que admitir que existe uma hora em que não dá mais" . Depois de revirarmos aquela mata pra cima e pra baixo encontramos um dos organizadores que voltava do PC e pudemos então achar a trilha certa, e todos seguiram para o rapel que pudemos constatar, era belíssimo. Era uma descida em duas etapas, a primeira em negativo de uns 50m e uma segunda de mais de 100m em positivo. A vista era linda do alto da Mata Atlântica . De lá seguimos de volta para o PC8, que agora era PC10 e pegamos os ducks para descer o Rio Juquiá-guaçu, foi uma descida tranqüila e meio monótona, já que nesse trecho são pouquíssimas as corredeiras e o Rio é ladeado por plantações de banana. No PC11 trocamos os ducks pela canoa canadense, era o nosso primeiro contato com elas, e para nós foi uma agradável surpresa, ela não é instável como imaginávamos, e claro, muito mais veloz que os ducks, apenas a coordenação entre a remada de proa e de popa deve ser melhor, já que o remo é de uma pá apenas.

A maior dificuldade foi subir um barranco sob a ponte, no PC 12, onde deixamos as canoas e pegamos novamente as bikes, essas canoas são muito pesadas.
No PC 12 nossa preocupação era como seria o pedal com a bike do Paulo sem câmbio traseiro, já que no trecho anterior, ele não podia fazer força porque se isso acontecesse a corrente caía, já que havia entortado a ponteira. Partimos para Juquiá e no percurso, em qualquer subida, primeiro o Marco, e depois Flávio, iam empurrando o Paulo, foi complicado principalmente já no final da corrida. Mas finalmente chegamos à cidade e ao ponto de chegada, com alívio assinamos a planilha e apesar do resultado, estávamos satisfeitos por termos conseguido terminar a prova.

Silvana
Equipe Lobo Guará / SETEC

Equipe:
Flávio Uyeda
Marco Cavalcanti
Paulo Chaves
Silvana Silva

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